Justiça Justiça
Trio é condenado a 246 anos por chacina em Duque de Caxias
Crime bárbaro em 2020 vitimou jovem e quase causou aborto; MPRJ atuou por meio do GAEJURI
27/06/2025 20h52 Atualizada há 8 meses
Por: Redação da Folha

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada no Tribunal do Júri (GAEJURI), obteve, nesta quinta-feira (26/06), a condenação de três homens a 246 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, tentativas de homicídio e tentativa de aborto. O julgamento ocorreu na 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias e está relacionado a uma invasão domiciliar ocorrida em abril de 2020, no bairro Vila Maria Helena.

Os réus Guilherme Silva, Lucas de Souza e Igor da Silva foram responsabilizados pelo assassinato de Adriel Gomes da Silva, três tentativas de homicídio — incluindo uma mulher grávida de oito meses — e tentativa de aborto. Igor, que dava suporte na fuga e participou do planejamento, foi considerado partícipe.

Continua após a publicidade

O crime, classificado como ato de "justiçamento", foi motivado por suposto envolvimento da família da vítima com o tráfico. A sessão do júri durou dois dias e foi conduzida pelos promotores de Justiça Daniela Peroba, Matheus Rezende e Pedro Simão, com presença da subcoordenadora do GAEJURI, promotora Roberta Maristela dos Anjos.

A denúncia do MPRJ revelou que os acusados integravam um grupo de extermínio atuante na Baixada Fluminense. Adriel foi morto com diversos tiros, enquanto os demais familiares, inclusive a gestante, foram alvejados. A mulher baleada sobreviveu e conseguiu dar à luz após atendimento médico emergencial.

O Conselho de Sentença acatou integralmente a tese da promotoria, reconhecendo as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

“A condenação dos culpados ratifica os direitos das vítimas e reafirma a importância de uma sociedade civilizada que pune as violações dos direitos humanos”, afirmou Simone Sibilio, coordenadora do GAEJURI/MPRJ.

Segundo o MPRJ, o caso exemplifica a atuação firme do órgão em crimes de alta complexidade, envolvendo milicianos, traficantes e grupos armados na região metropolitana do Rio.