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Embarque fora da rodoviária de Nova Iguaçu gera transtornos e divergências entre concessionária e empresa de ônibus
Passageiros reclamam de embarque e desembarque da Viação Nossa Senhora da Penha na via principal; empresa, prefeitura e Detro apontam autorização para operação externa.
12/08/2025 22h46 Atualizada há 7 meses
Por: Redação da Folha

Leitores da Folha da Baixada e profissionais que trabalham diariamente na região relataram que a Viação Nossa Senhora da Penha está realizando o ponto final de embarque e desembarque de passageiros na via principal, em frente à Rodoviária de Nova Iguaçu. A prática, segundo usuários, causa congestionamentos na Avenida Marechal Floriano Peixoto e expõe passageiros ao sol e à chuva, sem cobertura ou estrutura adequada.

Alguns entrevistados afirmam que a medida estaria ligada ao alto valor da tarifa de acostamento cobrada pela concessionária responsável pelo terminal. Segundo eles, o custo para que os ônibus utilizem as plataformas seria elevado, especialmente devido ao grande número de veículos da empresa.

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Em apuração, a Folha da Baixada entrou em contato com a Viação Nossa Senhora da Penha, cuja operação é de responsabilidade da Auto Viação Vera Cruz, de Belford Roxo. A empresa informou que a decisão de realizar o embarque e desembarque fora do terminal foi tomada após reunião com a Prefeitura e o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), que autorizaram a prática.

A Secretaria Municipal de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana de Nova Iguaçu afirmou que intensificou a presença de agentes de trânsito na região, com o objetivo de orientar motoristas para o uso correto dos pontos de parada autorizados e minimizar congestionamentos.

O Detro-RJ confirmou que a prefeitura local autorizou o embarque e desembarque externos para algumas linhas específicas, enquanto outras continuam operando normalmente nas baias internas da rodoviária.

Já a Rio Terminais de Passageiros S/A, concessionária que administra o terminal, lamentou a decisão da operadora. A empresa afirma que a medida descumpre o planejamento operacional das linhas, compromete a segurança e o conforto dos passageiros — especialmente idosos e pessoas com deficiência — e prejudica os investimentos realizados na estrutura do terminal.

A concessionária ressaltou que as tarifas e a taxa de acostamento são definidas pelo poder concedente, previstas em contrato e destinadas à manutenção, operação e serviços do terminal. Parte da arrecadação é repassada ao Estado, e outra parte utilizada para garantir qualidade, conforto, acessibilidade e segurança aos usuários.

A Folha da Baixada tentou contato com a Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais do Estado do Rio de Janeiro (Coderte), mas não obteve retorno. Enquanto isso, pedestres e motoristas que passam diariamente pelo local continuam enfrentando congestionamentos e falta de abrigo adequado para embarque e desembarque.