Segurança Pública Operação
Milícia que atuava em Nova Iguaçu e Belford Roxo extorquia comerciantes e motoristas com ameaças de morte, aponta MP
Três suspeitos foram presos; chefe da quadrilha, conhecido como Deco, já cumpre pena em Bangu e foi transferido para presídio de segurança máxima
21/08/2025 07h52 Atualizada há 6 meses
Por: Redação da Folha

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou nesta quarta-feira (20) uma operação contra uma milícia que atua em Nova Iguaçu e Belford Roxo, na Baixada Fluminense. De acordo com a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo impunha taxas semanais a comerciantes, motoristas de vans, mototaxistas e até empresas de internet e TV a cabo, sob ameaça de morte.

Três suspeitos foram presos durante a ação. O chefe da quadrilha, Jefferson Constant Jasmim, conhecido como Deco ou 01, já estava preso em Bangu 9, unidade destinada a detentos ligados a milícias. Condenado a 30 anos de prisão por homicídio e ocultação de cadáver, ele foi transferido nesta quarta-feira para Bangu 1, penitenciária de segurança máxima, onde ficará em cela individual.

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Áudios interceptados pelo MP revelam a violência com que os criminosos cobravam as taxas.

“Ou ele paga com a vida, ou ele paga com um tiro no olho... Eu vou deixar eles tudo com a barriga aberta, parceiro, e vou arrancar a cabeça”, diz um dos denunciados em uma gravação.

Outro diálogo obtido mostra os milicianos combinando agressões:

“Depois que quebrar um no pau vai diminuir.”
“Quebrar as motos e a cara”, responde outro.

A investigação também apurou que mototaxistas que trabalham por aplicativos eram proibidos de circular nas áreas dominadas pelo grupo. Além disso, Deco, mesmo preso, foi flagrado negociando armas de dentro da cadeia.

O Gaeco identificou ainda que a quadrilha disputava território com outros milicianos da região, como João Teixeira dos Passos (Jota da Grama) e Gilson Ingrácio de Souza Júnior (Juninho Varão).

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que, além da transferência de Deco, outros três detentos ligados à quadrilha foram colocados em isolamento preventivo. Desde o início do ano, segundo a Seap, 91 celulares já foram apreendidos em Bangu 9.