Yuri nasceu homem, alto, olhos azuis. “Duas piscinas no meio da favela”, diziam. Um dia, aos 19 anos, olhou-se no espelho e pensou: “acho que sou mulher”. Num instante, viu novos seios, lábios, cabelos, desejos, liberdades, uma pepeka perfeitamente desenhada. Daí penetrou-lhe a natureza, o medo, a escravidão por remédios e hormônios, a impossibilidade de ser mãe… novos desafios e limitações.
Quando percebeu que tornar-se fêmea era um encanto do flautista e que continuaria tendo que trabalhar e sofrer pressões e ter problemas e morrer, tomou um banho e foi para a faculdade.