Cultura Teatro
Cia Sonharteiros apresenta “Antes que me contem outras histórias” com sessões gratuitas
Espetáculo dirigido pelo ator meritiense Cridemar Aquino une teatro, dança e memória africana no Instituto Cultural Cerne
11/09/2025 08h28 Atualizada há 6 meses
Por: Redação da Folha
Foto: Josélia Frasão

O município de São João de Meriti será palco, no dia 13 de setembro, de duas apresentações gratuitas do espetáculo “Antes que me contem outras histórias”, criação da Cia Teatral Sonharteiros sob direção do ator Cridemar Aquino, filho da cidade. As sessões acontecem às 16h e 19h, no Instituto Cultural Cerne (Travessa Nogueira, Centro).

A montagem é uma imersão poética e política nas memórias e resistências dos povos africanos em diáspora. Teatro, dança e ancestralidade se entrelaçam para construir uma narrativa sobre identidade, pertencimento, racismo estrutural e memória coletiva.

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Para Cridemar Aquino, vencedor do Prêmio Shell e que recentemente interpretou Sebastião na novela “Garota do Momento” da TV Globo, apresentar o espetáculo em sua cidade natal tem um significado especial:

“Voltar a São João de Meriti com um trabalho tão potente, que fala de ancestralidade preta, território e resistência, é um gesto de retribuição. É aqui que minhas raízes estão, e poder compartilhar essa criação com o público meritiense é uma grande alegria”, destaca o diretor.

No centro da cena está a água, símbolo de travessia, saudade e esperança. A dramaturgia propõe um movimento de Sankofa, conceito africano que convida a olhar para o passado como forma de reconstruir o futuro.

A atriz e fundadora da companhia, Graciana Valladares, reforça a importância de contar histórias a partir da própria voz:

“Antes que nos contem outras histórias, escolhemos contar as nossas. Celebramos quem veio antes, lembrando sempre que nossos passos vêm de longe. É um espetáculo feito por nós e para nós”, afirma.

Além das apresentações, o projeto oferece oficinas gratuitas de danças populares afro-brasileiras, promovendo a valorização das expressões culturais negras e a interação entre arte, educação e comunidade.

A iniciativa dialoga com a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas, reforçando o compromisso com uma educação antirracista e plural.