Política Justiça Eleitoral
Ministério Público denuncia associação criminosa ligada à compra de votos em Belford Roxo
Dois candidatos a vereador e seis pessoas foram denunciados por corrupção eleitoral e associação criminosa nas eleições de 2024
10/09/2025 09h56 Atualizada há 6 meses
Por: Redação da Folha

A 154ª Promotoria Eleitoral denunciou, no dia 05/09, uma associação criminosa que teria atuado na compra de votos para dois candidatos a vereador em Belford Roxo, durante as eleições municipais de 2024. Segundo a denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE), o grupo agiu junto a eleitores que venderam seus votos pelo valor de R$ 100. Os candidatos não foram eleitos.

As investigações começaram após a operação “Dupla Falta”, deflagrada em novembro de 2024, que cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de uma das investigadas, suspeita de planejar a compra de votos em favor de um pré-candidato. A análise do celular apreendido de uma das denunciadas indicou que os candidatos Marcos Roberto Oliveira Lage, conhecido como Markinhos Lage, e Priscila Ervite Musser Andrade contrataram quatro pessoas para realizar a compra direta dos votos nos dias que antecederam a eleição, além de exigir comprovação dos votos no próprio dia do pleito.

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De acordo com a denúncia, Markinhos Lage contou com a ajuda de duas pessoas na contratação das responsáveis pela compra de votos. O documento inclui conversas em aplicativos de mensagens e vídeos de eleitores votando no candidato, seguidos da cobrança pelo pagamento. Em um dos diálogos, uma das denunciadas ameaça ir até a casa de Markinhos para cobrar pessoalmente a quantia, caso o dinheiro não fosse entregue.

A denúncia também registra mensagens entre as contratadas, revelando a insatisfação de Priscila Andrade, que reclamava que “o investimento criminoso feito por ela não havia lhe propiciado o devido retorno”. Além disso, foram enviados para a candidata comprovantes de votação das pessoas que venderam seus votos, demonstrando sua atuação na compra ilegal de votos de terceiros.

Os dois candidatos, junto a outras seis pessoas que teriam auxiliado ou sido contratadas para a prática ilícita, foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, cuja pena varia de 1 a 3 anos de prisão, e corrupção eleitoral, punível com até 4 anos de prisão.