
A nova edição do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) revela um cenário preocupante para os municípios do estado do Rio de Janeiro. Segundo o estudo, as cidades fluminenses destinaram, em 2024, apenas 4,6% da receita para investimentos — menos da metade da média nacional, de 10,2%. No indicador de Investimentos, que varia de zero a um ponto, o estado alcançou apenas 0,3715, ficando na última posição entre as unidades da federação.
Na Baixada Fluminense, o índice foi de 0,4923, o que confirma o baixo nível de investimentos públicos na região. A situação se agrava diante de um cenário econômico nacional favorável, com maior repasse de recursos para os municípios no período.
“Chama ainda mais atenção o fato de que esse péssimo resultado foi em momento de conjuntura econômica favorável no país em 2024 e maior repasse de recursos para os municípios. Toda a sociedade precisa acompanhar e cobrar dos gestores maior compromisso com o dinheiro público. Não podemos aceitar esse cenário”, alertou o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Ele destacou ainda a importância de ações locais para estimular a economia e gerar oportunidades de renda e qualidade de vida.
Além da precarização dos investimentos, a Baixada também enfrenta sérias dificuldades de autonomia: o indicador IFGF Autonomia ficou em apenas 0,3431 ponto. Combinados, esses fatores resultaram em um IFGF médio de 0,5435, considerado nível de dificuldade. Apesar disso, houve bons resultados em Gastos com Pessoal (0,7059) e Liquidez (0,6327), que medem, respectivamente, o peso da folha salarial e a capacidade de cumprir obrigações financeiras de curto prazo.
No ranking regional, Duque de Caxias se destacou com a maior nota da Baixada: 0,7402. O município alcançou nota máxima em Autonomia e avaliação de excelência em Gastos com Pessoal, demonstrando maior flexibilidade orçamentária. Já Nova Iguaçu, Nilópolis, Magé, Guapimirim e Queimados também registraram bons resultados, sustentados por índices positivos em dois ou mais indicadores.

No extremo oposto, Seropédica terminou 2024 em situação fiscal crítica, acumulando nota zero em dois quesitos: Autonomia (não gera receita suficiente nem para custear a Câmara de Vereadores) e Gastos com Pessoal (mais de 60% da receita comprometida com salários e aposentadorias). Itaguaí e São João de Meriti também figuraram entre os piores desempenhos, com notas baixas em ao menos três indicadores do IFGF.
O levantamento da Firjan analisou dados de 5.129 municípios em todo o país. As notas classificam as cidades em quatro faixas: crítica (abaixo de 0,4 ponto), em dificuldade (0,4 a 0,6), boa (0,6 a 0,8) e de excelência (acima de 0,8).
