Coluna Malha ferroviária
Reativação da malha ferroviária pode transformar mobilidade e turismo na Baixada Fluminense
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20/09/2025 12h05
Por: Redação da Folha
Primeira estação ferroviaria Guia de Pacobaiba, em Magé

A Baixada Fluminense, composta por 13 municípios — Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica — possui uma das malhas ferroviárias mais antigas e estratégicas do estado do Rio de Janeiro. Apesar do potencial, grande parte dessas linhas encontra-se desativada, sob concessão de empresas de logística ou com utilização restrita pela SuperVia, deixando de cumprir um papel essencial no transporte de passageiros e no desenvolvimento regional.

Linhas desativadas e sob uso exclusivo de cargas

Diversos ramais que atravessam a Baixada, especialmente em cidades como Magé, Itaguaí e Seropédica, estão hoje sob concessão de operadoras de logística para transporte de cargas. Nesses trechos, a circulação de trens de passageiros foi interrompida, deixando comunidades inteiras sem acesso ao transporte ferroviário, mesmo com estações históricas preservadas ou abandonadas.

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Cidades como Magé, que possuem estações centenárias, poderiam hoje estar conectadas não só ao Rio de Janeiro, mas também a polos turísticos e econômicos da Costa Verde e Região Serrana. Entretanto, o predomínio da malha voltada ao escoamento de mercadorias impede que a população local usufrua desse patrimônio.

Trechos sob a SuperVia

Nos ramais ainda operados pela SuperVia — como Japeri, Belford Roxo, Saracuruna e o curto ramal Guapimirim — a situação também enfrenta desafios. Apesar de serem importantes eixos de mobilidade para milhares de passageiros diariamente, a falta de integração e modernização limita o potencial turístico e logístico.

O ramal Vila Inhomirim, que passa por áreas de grande relevância histórica em Magé, é um exemplo: hoje subutilizado, poderia se transformar em um corredor cultural e turístico, atraindo visitantes para conhecer antigas estações e a história ferroviária da região.

Patrimônio histórico e turismo ferroviário

A Baixada Fluminense abriga estações que fazem parte da memória do Brasil. Estruturas centenárias como as de Magé, Japeri e Paracambi não apenas contam a história do desenvolvimento ferroviário nacional, mas poderiam se tornar pontos de atração turística, conectando trilhas, cachoeiras, igrejas históricas e outros atrativos locais.

A criação de linhas turísticas, como já acontece em outros estados, poderia revitalizar a economia local e gerar emprego, além de fortalecer o sentimento de pertencimento da população.

Benefícios para a população e mobilidade urbana

A reestruturação da malha ferroviária da Baixada Fluminense traria múltiplos benefícios:

Um futuro de integração

Reativar e modernizar a malha ferroviária da Baixada Fluminense é mais do que uma necessidade de transporte: é um projeto de integração regional, que valoriza a história, promove o turismo e garante dignidade e mobilidade à população.

Com planejamento e investimentos, os trilhos que hoje estão esquecidos podem voltar a ser protagonistas no desenvolvimento da região e no fortalecimento da conexão entre a Baixada, o Rio de Janeiro e outras regiões do estado.