Água Inovação
Projeto Novo Marapicu da Cedae tem ROI de 350% com uso da metodologia BIM
Reservatório e adutora em Nova Iguaçu se tornam referência nacional ao aplicar tecnologia digital para antecipar problemas, reduzir custos e garantir eficiência na execução da obra
23/09/2025 07h44 Atualizada há 5 meses
Por: Redação da Folha

O projeto de construção do reservatório Novo Marapicu e de cinco quilômetros de tubulações, parte integrante do sistema de produção de água Novo Guandu, no município de Nova Iguaçu, tornou-se um exemplo emblemático da aplicação bem-sucedida da metodologia BIM (Building Information Modeling) em obras de saneamento. A iniciativa da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) já beneficia mais de três milhões de pessoas na Baixada Fluminense com aumento da oferta de água potável.

A implementação do BIM teve como base um Plano de Execução BIM (BEP), elaborado em conjunto pela construtora, pela Cedae e pela consultoria FF Solutions. O documento definiu o uso de ferramentas do pacote AEC Collection (Autodesk Revit, Civil 3D e Navisworks), além da plataforma Autodesk Docs para gestão de dados em um Ambiente Comum de Dados (CDE). Esse processo centralizou a comunicação, garantiu validação ágil dos documentos e reduziu riscos durante a obra.

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Entre os recursos inovadores, destacou-se a captura da realidade por drones, gerando ortofotos, modelos digitais de terreno e nuvens de pontos que foram comparados ao projeto executivo. Essa prática antecipou interferências e permitiu ajustes de projeto com rapidez. A análise 3D evitou, por exemplo, que escavações fossem interrompidas por conflitos com tubulações e estruturas já existentes.

Casos concretos demonstram a eficácia do método:

Essas soluções antecipadas evitaram atrasos e custos adicionais que, em uma obra tradicional, poderiam ultrapassar R$ 1 milhão. O resultado foi um retorno sobre investimento (ROI) de aproximadamente 350%, comprovando a viabilidade econômica da metodologia.

Perspectiva Interferência de drenagem na ETA

 

Outro diferencial foi a automação de processos repetitivos. Com auxílio do Dynamo, a equipe eliminou a inserção manual de dados de mais de 1.200 estacas, automatizando o processo no Revit e otimizando a atualização do modelo As Built. A integração com o Civil 3D também facilitou a gestão de grandes volumes de dados e emissão de relatórios.

Perspectiva relocação dos blocos das travessias.

 

Ao unir modelos 3D, cronogramas (4D) e atualizações constantes do As Built, a obra garantiu controle de prazos, redução de riscos e maior eficiência operacional. Segundo os responsáveis, o caso Novo Marapicu evidencia que a adoção da cultura digital em obras públicas é estratégica, rentável e sustentável, consolidando um novo paradigma para o saneamento básico no Brasil.

Estacas modeladas automaticamente através da rotina do Dynamo