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Grupo Código celebra 20 anos com espetáculo “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”

Montagem de Japeri em cartaz no Teatro Correios Léa Garcia ressignifica as vozes e imagens das periferias

Por: Redação da Folha
09/10/2025 às 09h45 Atualizada em 11/10/2025 às 11h28
Grupo Código celebra 20 anos com espetáculo “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”

O Grupo Código, referência cultural de Japeri, celebra duas décadas de trajetória com seu 13º espetáculo, “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”, escrito e dirigido por Juliana França. Após circular pela Baixada Fluminense, a montagem chega ao Teatro Correios Léa Garcia, no Rio de Janeiro, ampliando o alcance da proposta de ressignificar a imagem das periferias a partir de suas próprias vozes.

No palco, seis atrizes e atores japerienses mergulham na expressão popular “cabeça de porco” para refletir sobre a precarização sistêmica e os estigmas que marcam os territórios periféricos. O título faz referência tanto ao famoso cortiço carioca demolido em 1893 quanto à crença da “cabeça de porco enterrada”, ressignificando essas imagens em uma dramaturgia que propõe um olhar poético, político e afetivo sobre a Baixada.

Construído em diálogo com a dramaturga Cecília Ripoll, o espetáculo articula múltiplas linguagens cênicas e conecta passado, presente e futuro, inspirado em Leda Maria Martins e no Sistema Coringa, de Augusto Boal. Mais do que denunciar desigualdades, a montagem celebra a Baixada Fluminense como um território de afeto, resistência e preservação de tradições africanas, indígenas, nordestinas e mineiras.

A equipe reúne profissionais reconhecidos: Camila Rocha (direção de movimento), Bruno W. Medsta (direção musical), Higor Nery (direção de arte) e Júnior Oliveira (produção).

Em comemoração aos 20 anos do Grupo Código, “Cabeça de Porco – Retratos de um Território” apresenta um espaço fictício — um forró — onde vozes ecoam memórias e histórias da Baixada Fluminense. Entre o peso da representação única e a “maldição” da cabeça de porco enterrada, o espetáculo convida o público a repensar: pode o morador ser mais do que esperam dele?

Um retrato. Uma imagem. Um território — e os muitos outros possíveis.

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