“Nos conhecer” — esse é o significado da palavra africana “Nyogolon”, apresentada pelo griot e ator maliano Sotigui Kouyaté. Mais que um termo, é um conceito que representa um espaço de encontro, troca e abertura — o que em outras culturas seria chamado de teatro. E é com esse espírito que o espetáculo “Nyogolon”, do Grupo Artesão Teatro, chega a Nova Iguaçu neste mês de outubro, convidando o público a uma profunda experiência de reflexão e pertencimento.
Serão duas apresentações: a primeira no dia 19 de outubro, às 15h, no Terreiro Ilé Asé Omi T’oju Oyo, no bairro Cacuia, e a segunda no dia 22 de outubro, às 19h, no Teatro Sylvio Monteiro, no Complexo Cultural Mário Marques, no Centro de Nova Iguaçu — esta última com tradução em Libras.
Formado por atores negros, o espetáculo é uma imersão nas narrativas afrodiaspóricas, construído a partir das memórias, vivências e ancestralidades do elenco. Canções, danças e histórias se entrelaçam para formar um retrato poético e potente da resistência negra na Baixada Fluminense.
“Nyogolon é mais que um evento, é um projeto”, explica o diretor JonyJarp Pontes, que sonhava em levar o teatro para além dos espaços convencionais. A escolha pelo terreiro Ilé Asé Omi T’oju Oyo reforça esse propósito: o local, dedicado às religiões de matriz africana, foi fortemente impactado pelas chuvas do último verão, e a apresentação busca também valorizar o território e fortalecer vínculos comunitários.
Após a sessão no terreiro, haverá roda de conversa entre o elenco, pais e filhos de santo e moradores do bairro, em um momento de troca de saberes e afetos.
Criado em 2016, o Grupo Artesão Teatro nasceu em Nova Iguaçu, a partir da pesquisa e experimentação teatral. Para seus integrantes, “é no corpo do ator onde começa e acontece o teatro”.
O espetáculo é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.
Como ensina Sotigui Kouyaté, ir ao Nyogolon é aclarar a visão — um convite para que cada um se reconheça, revisite suas histórias e perceba, em si e ao redor, o território ancestral que habita.