Educação Ressocialização
Projeto da UFRRJ e Cedae devolve chance de estudo e esperança a apenados do Replantando Vida
Iniciativa “Educação pela Liberdade” oferece aulas de português e matemática para participantes do programa socioambiental em Nova Iguaçu
15/10/2025 16h48 Atualizada há 5 meses
Por: Redação da Folha
Foto: Luis Alvarenga

Depois de quase 30 anos longe da escola, Marcelo, 45 anos, voltou a ocupar uma sala de aula. Ele participa do “Educação pela Liberdade”, disciplina de extensão criada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em parceria com a Cedae, que abre novas portas para quem busca retomar os estudos.

Marcelo é integrante do Replantando Vida, programa socioambiental da companhia que une recuperação de áreas degradadas à ressocialização de pessoas em cumprimento de pena, oferecendo trabalho, capacitação e novas perspectivas.

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“Eu estudei até a sexta série e depois fui direto para a construção civil. Sempre precisei muito da matemática e do português. E da prisão eu vim para o Replantando Vida, onde estou há 1 ano e 4 meses, trabalhando todos os dias e pronto para voltar ao mercado de trabalho. Esse auxílio chegou na hora certa”, conta Marcelo.

Desde julho, a iniciativa oferece aulas de português e matemática para 30 alunos, entre apenados e estudantes da Rural. Os encontros acontecem todas as segundas-feiras, das 14h às 16h, no Centro de Ressocialização Chagas Freitas, na Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, em Nova Iguaçu.

De acordo com Alan Abreu, gerente de Restauração Florestal da Cedae, o projeto vai além do trabalho, promovendo o desenvolvimento pessoal e social.

“Nosso foco é buscar parceiros que possibilitem não apenas capacitações técnicas, mas também a elevação da escolaridade. Com o curso, cada aluno da Rural se torna tutor de um apenado, garantindo acompanhamento individual”, explica.

A metodologia é inspirada no pensamento freireano, que valoriza o diálogo e a experiência de vida dos alunos. Temas do cotidiano, como trabalho, tecnologia e convivência, se transformam em conteúdos de aprendizagem.

Além das aulas de português, produção de texto e matemática aplicada, há rodas de conversa e atividades personalizadas conforme o nível de cada participante. A professora Adriana Costa, da UFRRJ, destaca que o aprendizado é mútuo.

“Nós, professores e licenciandos, aprendemos muito com eles. Eles nos ensinam a ser melhores professores e seres humanos, porque nos fazem ajustar nossas aulas às necessidades reais”, afirma.

Mais do que somar conhecimento, o projeto resgata a autoestima e prepara para o futuro.

“Estudar é maravilhoso, é aprender a falar o nosso idioma, a fazer nossas contas, a dividir conhecimento com quem ainda não sabe. Eu aconselho os colegas que venham também: trabalhem, lutem, estudem, que é o futuro”, resume Marcelo.

O curso segue até dezembro, acompanhando o calendário acadêmico da universidade, e novas turmas estão previstas para o próximo semestre, permitindo o avanço dos atuais alunos e a entrada de novos participantes.