
O Quilombo de Bongaba Kilombá, em Magé, se prepara para viver mais um dia de celebração e resistência. No sábado, 8 de novembro, das 10h às 18h, acontece a VIII Feira Cultural do Quilombo Kilombá, no Ilé Àṣẹ Ògún Àlákòró, sede do quilombo. O evento faz parte das comemorações do Mês da Consciência Negra, reunindo arte, moda, gastronomia, literatura e música em uma programação marcada pela valorização da ancestralidade e da cultura afro-brasileira.
Reconhecido pela Fundação Cultural Palmares e pela Acquilerj (Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro), o Quilombo Kilombá é um dos principais pontos de cultura da Baixada Fluminense, sendo referência em economia criativa, sustentabilidade e educação popular. O espaço desenvolve projetos de agrofloresta com ervas medicinais, mantém um pré-vestibular social que aprovou 18 dos 15 alunos da última turma, e abriga a grife de moda afro Gbo Gbo Asò, que exporta peças exclusivas para outros estados e países.
A Feira Cultural é um dos eventos mais aguardados do calendário mageense, oferecendo ao público gastronomia quilombola, arte popular, desfiles de moda afro, literatura e apresentações musicais e de dança. Para Pai Paulo José dos Reis, o Pai Paulo de Ogum, presidente de honra do Quilombo Kilombá, o evento é um símbolo de resistência e identidade.
“A Feira é mais do que um evento — é a materialização do que somos. É o encontro do sagrado com o cotidiano, da arte com a luta, da memória com o futuro. Cada roda de jongo, cada prato de feijoada, cada roupa que desfilamos é uma forma de manter viva a voz dos nossos ancestrais”, afirmou.
A programação inclui roda de jongo, desfile da grife Gbo Gbo Asò, palestras, lançamentos literários e apresentações culturais, além da tradicional feijoada do quilombo, símbolo de união e partilha. Entre os destaques estão o lançamento musical de “Oluwa Ojutu”, do músico Omo Orisa, e o desfile “Roupas para Todos” da Gbo Gbo Asò, que este ano apresenta novidades como sapatos e vestidos de noiva afro.
Durante todo o evento, o público poderá visitar barracas de artesanato, roupas, doces e comidas típicas, fortalecendo o comércio local e a economia solidária.
“A Gbo Gbo Asò nasceu com o propósito de vestir o corpo com a alma da nossa história. Cada peça carrega um axé, uma cor, um gesto de resistência. É a nossa forma de dizer: existimos, criamos e ensinamos ao mundo a beleza que vem das nossas raízes”, completou Pai Paulo.
Encerrando o dia, a Roda de Jongo do Quilombo Kilombá promete emocionar o público e reafirmar a força da cultura afro-brasileira na Baixada Fluminense.
“Nosso quilombo é resistência viva. A cada edição da Feira mostramos que a cultura afro-brasileira não é passado — é presente, é força e é futuro”, reforçou Pai Paulo de Ogum.