Meio Ambiente Conservação
Guapimirim registra onça-parda e jaguatirica em estudo pioneiro de monitoramento ambiental
Em apenas três meses, armadilhas fotográficas da Secretaria de Ambiente registraram mais de 230 imagens e confirmaram a presença de grandes mamíferos na região, reforçando o papel do município como guardião da Mata Atlântica
24/10/2025 16h18 Atualizada há 4 meses
Por: Redação da Folha

Logo nos três primeiros meses de monitoramento, a Secretaria Municipal do Ambiente e Sustentabilidade (SEMA) de Guapimirim registrou imagens de espécies como onça-parda, jaguatirica e guaxinim mão-pelada, por meio de armadilhas fotográficas instaladas em áreas estratégicas de preservação. Os registros reforçam a importância do município na preservação da Mata Atlântica, bioma essencial para o equilíbrio ecológico do Estado do Rio de Janeiro.

Situada entre a Baía de Guanabara e a Serra dos Órgãos, Guapimirim abriga uma das maiores concentrações de áreas de proteção ambiental do estado — cerca de 80% do território está inserido em unidades de conservação, distribuídas entre esferas municipal, estadual e federal. Entre elas estão o Monumento Natural da Concórdia (MONA Concórdia), o Refúgio de Vida Silvestre do Sucavão (REVIS Sucavão) e o Parque Natural Municipal Nascente do Jaíbi (PNM Jaíbi), que foram os focos do estudo iniciado em maio de 2025.

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Foram instaladas dez armadilhas fotográficas em diferentes habitats, o que resultou em 236 registros de fauna silvestre. Entre as espécies registradas, além da onça-parda e da jaguatirica, estão o tamanduá-mirim, o cachorro-do-mato, a cotia, a paca e o tapeti, além de aves emblemáticas como a tangará, a araponga, o gavião-pega-macaco e a garça-moura.

De acordo com o biólogo Vitor Cunha, responsável técnico pelo setor de áreas protegidas e doutorando em Meio Ambiente pela UERJ, a presença de espécies de topo de cadeia demonstra a saúde ambiental do ecossistema local.

“Esses dados reforçam que Guapimirim possui ecossistemas equilibrados, capazes de sustentar espécies que indicam a boa qualidade ambiental da região”, destacou o pesquisador.

A secretária de Ambiente e Sustentabilidade, Mayara Barroso, comemorou os resultados e destacou que o estudo é um marco para políticas públicas de conservação no município.

“As metas iniciais eram diagnosticar as espécies e mapear áreas de maior movimentação animal, mas os resultados superaram as expectativas. A presença de predadores de topo e de espécies noturnas comprova a existência de corredores ecológicos ativos”, afirmou.

Os técnicos da SEMA reforçam que o aumento desses registros não significa risco para os moradores, mas sim a confirmação de que o homem está inserido no ambiente natural dos animais.

“Nós é que estamos no habitat deles. É comum que alguns animais apareçam em quintais ou áreas urbanas, mas eles não atacam, apenas buscam passagem. O importante é não interferir e lembrar que a caça é crime”, alertam os especialistas.

Os resultados do estudo serão incorporados ao banco de dados da SEMA e utilizados em novas ações de educação ambiental, fiscalização e combate a crimes ambientais. O município também planeja expandir o monitoramento para outras unidades de conservação e fortalecer a integração com o chamado Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense, conjunto de áreas protegidas que atuam de forma colaborativa na conservação do bioma.

Com esse trabalho, Guapimirim se consolida como referência em preservação ambiental, contribuindo para a manutenção da biodiversidade e dos recursos hídricos que abastecem a Baía de Guanabara.