Segurança Pública Direitos Humanos
Fórum Grita Baixada critica operações no Rio e alerta para impactos na Baixada
Associação denuncia violência, política de “gratificação faroeste” e impactos das operações letais na população
28/10/2025 19h43 Atualizada há 4 meses
Por: Redação da Folha
Foto: Facebook / AFGB

A Associação Fórum Grita Baixada manifestou profunda indignação diante da operação policial realizada recentemente no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 64 mortes. Em nota, a entidade criticou o destaque da imprensa à apreensão de armas, lembrando que, historicamente, muitas delas retornam ao tráfico, alimentando um ciclo de violência e corrupção.

O Fórum condenou a política de extermínio oficializada pelo Estado, citando a chamada “gratificação faroeste”, aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que concede recompensas a policiais que matam em serviço. Para a associação, tal medida legitima o genocídio de jovens, em sua maioria negros e pardos, residentes de favelas e periferias.

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Outro ponto criticado é a classificação automática das pessoas mortas como “suspeitas”, prática que desumaniza as vítimas e impede a investigação adequada, apagando provas, testemunhos e direitos previamente assegurados. Segundo o Fórum, as operações letais não garantem segurança à população, servindo apenas como instrumento midiático e político, promovendo uma falsa sensação de ação contra o crime.

A entidade também lembrou o histórico de corrupção no Estado do Rio de Janeiro, destacando que desde 2003 todos os governadores foram processados ou presos por atos criminosos, o que evidencia o enraizamento de práticas ilegais no sistema de segurança pública.

O Fórum Grita Baixada alertou para os impactos das operações na Baixada Fluminense, onde familiares de trabalhadores e estudantes vivem apreensivos e territórios são tratados como zonas de sacrifício. A associação reforçou que a verdadeira segurança pública deve proteger vidas, ser transparente e pautada na legalidade, investindo em educação, saúde, cultura, habitação, trabalho e apoio psicossocial.

A mensagem final do Fórum é clara: cada morte importa, e a barbárie não deve ser naturalizada. A responsabilidade de prestar contas sobre as operações recai sobre o governador Claudio Castro, segundo a entidade, que reafirma seu compromisso com a defesa da vida, da justiça e da dignidade para todos.

Veja a nota oficial na integra aqui.