A Campanha Rio Sem Óleo encerra seu ciclo anual de mobilizações com um ato simbólico e político na Baixada Fluminense. No dia 1º de novembro, a partir das 9h, a Praia do Remanso do Rio Suruí, em Magé (RJ), será palco da última atividade do ano da iniciativa, que ao longo de 2024 promoveu escutas, formações e ações em defesa das águas e da justiça ambiental.
A programação começa com uma Benção ao Rio Suruí, conduzida por lideranças religiosas de diferentes tradições, seguida de um café comunitário, uma oficina participativa sobre plástico e petróleo e o aguardado lançamento do Manifesto da Campanha Rio Sem Óleo, documento que reúne reflexões coletivas sobre o direito à água e à vida.
A mobilização local dialoga diretamente com o cenário global do clima, integrando as ações autogestionadas do Balanço Ético Global, articulação internacional que fortalece o protagonismo das comunidades locais na preparação para a COP 30, que será realizada em Belém (PA) em 2025. O manifesto reafirma o compromisso da campanha com a justiça socioambiental e a transição ecológica justa, partindo das realidades dos rios e das periferias fluminenses.
“Ter fé é muito mais do que uma crença; é um chamado ao cuidado e ao compromisso com o território em que vivemos e com o bem viver”, afirmou Julia Rossi, coordenadora do GreenFaith Brasil e integrante da campanha, ao destacar a conexão entre espiritualidade, justiça climática e mobilização popular.
Para Rafael Santos, pescador artesanal de Suruí e presidente da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé (ACAMM), a luta é também pela sobrevivência cultural. “Não falamos apenas de números, mas da crueza de um veneno recente no Rio Suruí, de como as propostas financeiras de empresas criam divisões sociais e de uma cultura que se esvai a cada derramamento de óleo”, lembra o ativista, citando o episódio de outubro de 2024, quando um novo vazamento atingiu o rio.
A Campanha Rio Sem Óleo reúne líderes religiosos, pescadores, educadores, artistas e ambientalistas em torno da defesa das águas da Baía de Guanabara e dos rios que a alimentam. A iniciativa ganha ainda mais relevância em um contexto preocupante: segundo a organização Global Witness, o Brasil é o segundo país que mais mata defensores da terra e do meio ambiente no mundo, com 25 assassinatos registrados em 2023.
Levantamento recente da GreenFaith Brasil e do Instituto Arayara mostrou que 45% dos ativistas e líderes comunitários afirmam já ter se sentido ameaçados por causa de seu trabalho. A campanha denuncia ainda o racismo ambiental, que impacta de forma desproporcional as comunidades periféricas e tradicionais.
“Eu sou uma mulher negra vinda da periferia do Rio de Janeiro e minha luta é por justiça ambiental e contra o racismo ambiental. A crise climática não nos atinge da mesma forma: são as comunidades periféricas que sofrem mais com a chuva pela ausência de saneamento, e as comunidades tradicionais são as mais afetadas pelo petróleo”, ressalta Andressa Dutra, ativista que integrou a delegação brasileira na Marcha pelo Clima em Paris.
Com o Manifesto 2024, a Campanha Rio Sem Óleo reafirma o chamado por um novo pacto ético com as águas, construído coletivamente entre territórios, espiritualidades e saberes populares, em defesa dos rios, da vida e do bem viver.
Cronograma da Atividade
08h - Ponto de encontro em Suruí
08:30 - Saída dos barco (4 a 5 barcos com 16 pessoas contabilizando equipe comunicação)
08:45 - Acolhimento no Remanso: Chegada do marcelo e outras pessoas que não vão de barco
09h00 – Chegança no Remanso + Momento da benção pelo Rio Suruí Conduzido por Marlúcia (evangélica), Fábio (Anglicano), Maria Cecília (Candomblé)
Invocação espiritual em defesa das águas, dos ecossistemas e da vida do Rio Suruí.
09h45 – Café da manhã com Marcelo + Espaço de acolhimento e boas-vindas. (Apoio Mariana)
Leitura de um dos contos do Livro “Até o Rio tá triste” com Carla Lubanco
10h30 – Oficina: Plástico, Petróleo e Rios com Pescadores
Compartilhamento da vivência dos pescadores do Rio Suruí (Rafael + Carlos Borel e outros)
98% do plástico é derivado do petróleo.
Poluição plástica nos rios → chega aos mares, entra na cadeia alimentar, atinge nossa saúde
Relação direta entre indústria petroquímica, crise climática e comunidades tradicionais.
11h00 – Leitura do Manifesto
Leitura e entrega do manifesto aos presentes
Manifestação coletiva com falas, registro em fotos e vídeo
11h30 – Encerramento
Café de confraternização