Cultura Consciência Negra
Espetáculo “Dos Nossos Para Os Nossos” leva arte preta e ancestralidade ao Sesc Nova Iguaçu
Coletivo AfroMaré apresenta montagem que celebra a cultura negra e propõe reflexão sobre identidade, resistência e futuro
30/10/2025 16h42
Por: Redação da Folha
Foto: Thiago dos Santos

Novembro chegou e, com ele, o mês da Consciência Negra — tempo de celebrar, refletir e fortalecer as raízes do povo preto. E para deixar a data ainda mais potente, o Coletivo AfroMaré desembarca na Baixada Fluminense com o espetáculo “Dos Nossos Para Os Nossos”, neste sábado (1º/11), às 19h, no Sesc Nova Iguaçu, dentro da programação do Sesc Pulsar.

A montagem é um verdadeiro grito de afirmação da cultura negra e de enfrentamento ao racismo estrutural por meio da arte. Dirigido por Tiago Ribeiro, o espetáculo mistura projeções mapeadas, coreografias, músicas autorais e uma dramaturgia potente, costurada por muita ancestralidade, corpo e voz.

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Em cena, o cotidiano atravessado pelo racismo ganha força política e poética, resultando em uma celebração vibrante das histórias negras brasileiras. A peça também presta homenagem a grandes nomes da negritude nacional, como Mariana Nunes, Rei Black, Liniker, Alcione e o grupo Os Garotinhos — artistas que inspiram e fortalecem o legado da arte preta no país.

“Queremos que as pessoas saiam do teatro enaltecidas e empretecidas”, afirma o diretor Tiago Ribeiro. “Mais do que tudo, ‘Dos nossos para os nossos’ quer levar o público a refletir sobre nosso passado desabrasileirado, empretecer o presente e garantir que o futuro seja empretecido. Entender o Brasil é encarar a questão racial de frente. Empretecer é preciso. Conscientizar é preciso. Somos o segundo país mais preto do mundo”, completa.

Criado em 2018, a partir de uma esquete idealizada por Êlme e Patrick Congo, o espetáculo cresceu e se consolidou como um manifesto cênico que resgata narrativas silenciadas, denuncia o apagamento histórico e propõe uma reflexão sobre identidade, resistência e futuro.

A obra já conquistou plateias e o reconhecimento de grandes nomes do teatro brasileiro, como Ariane Mnouchkine, Marco Nanini, Renata Sorrah, Juliana Carneiro da Cunha e Maria Ceiça.

Sinopse: Dois reis. Duas trajetórias. Uma narrativa. Em um Brasil “desabrasileirado”, corpos ancestrais questionam a civilização atual e reafirmam a força da negritude através de imagens, projeções, sons e poesia.