Educação Arte e Inclusão
Alunos surdos de Nova Iguaçu transformam bitucas de cigarro em máscaras africanas em oficina sustentável
Atividade na Escola Municipal Monteiro Lobato reforça consciência ambiental, inclusão e valorização da cultura afro no mês da Consciência Étnico-Racial
27/11/2025 09h38 Atualizada há 3 meses
Por: Redação da Folha

A união entre criatividade, inclusão e responsabilidade ambiental ganhou destaque na Escola Municipal Monteiro Lobato, em Nova Iguaçu. Estudantes surdos participaram de uma oficina que reaproveita bitucas de cigarro, transformando-as em massa celulósica usada na confecção de peças artesanais. Nesta edição, o material reciclado deu origem a máscaras africanas, em homenagem ao mês da Consciência Étnico-Racial, que busca enaltecer a diversidade e combater o racismo.

A atividade integra o Programa de Coleta Seletiva e Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Serviços Delegados (SEMUSD). Nova Iguaçu é atualmente a única cidade do estado do Rio de Janeiro a desenvolver esse tipo de ação sustentável. Além das máscaras, o material pode ser convertido em flores decorativas, papéis artesanais, blocos, marca-páginas, porta-copos e acessórios diversos.

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Anna Clara Ramos, responsável pelo programa, ressaltou o caráter pioneiro da ação: “Esta é a primeira vez que trabalhamos com uma turma de alunos surdos. Eles produziram máscaras africanas e participaram com muito entusiasmo. É uma troca verdadeira: aprendemos Libras com eles, enquanto desenvolvem maior consciência sobre reciclagem e sustentabilidade.”

A massa celulósica utilizada é fruto da reciclagem de bitucas recolhidas em coletores espalhados por prédios públicos, hospitais, pontos de ônibus e unidades de saúde. A transformação do resíduo ocorre por meio de parceria com a empresa Poiato Recicla, resultando em um material neutro, sem odor e ambientalmente seguro.

Durante a oficina, os alunos descobriram que um dos resíduos mais encontrados no planeta pode ser reaproveitado e se transformar em arte ou objetos úteis. A expectativa da SEMUSD é ampliar a iniciativa e realizar oficinas mensais em outras escolas com turmas de estudantes surdos.

A intérprete de Libras da escola, Suliandra Torres, destacou o impacto educativo da atividade: “Temos 50 alunos surdos e a inclusão é essencial. Eles entendem que aquilo que muitas vezes é jogado no chão pode virar arte. E ainda podem orientar suas famílias e vizinhos. Serão multiplicadores desse conhecimento.”

Entre os participantes, a aluna Maria Alice, de 13 anos, mostrou-se encantada com a experiência. Com o apoio da intérprete, ela contou que está ansiosa para ver o resultado da máscara após a pintura. “Não imaginava que a bituca de cigarro podia virar esse material. Foi incrível aprender que algo tão comum na rua pode ser reciclado e virar uma obra de arte.”

Desde que o projeto foi implantado, em novembro de 2019, cerca de 2,5 milhões de bitucas já foram recolhidas em Nova Iguaçu — o equivalente a uma tonelada de lixo tóxico que deixou de contaminar solo, água ou aterros sanitários. Os coletores permanecem instalados em prédios públicos, pontos de ônibus, hospitais, unidades de saúde, sede da Prefeitura, secretarias e outros locais de grande circulação.