Cultura Arte Sacra
Exposição “Arte & Devoção” completa um mês com mais de mil visitantes em Nova Iguaçu
Considerada uma das maiores mostras de arte sacra do país, exposição reúne mais de 350 peças dos séculos XVI ao XIX, incluindo obras inéditas de Aleijadinho
19/12/2025 05h49
Por: Redação da Folha

Sucesso de público e de crítica, a exposição “Arte & Devoção – A Escultura Religiosa no Brasil Colonial” completa um mês nesta sexta-feira (19) no Complexo Cultural Mário Marques, em Nova Iguaçu. Desde a abertura, em 19 de novembro, a mostra já recebeu mais de mil visitantes e se consolida como uma das mais importantes exposições de arte sacra realizadas no Brasil nas últimas décadas.

Promovida pela Prefeitura de Nova Iguaçu, a exposição reúne mais de 350 peças brasileiras, portuguesas e espanholas produzidas entre os séculos XVI e XIX. O acervo, proveniente de coleções particulares, contempla obras eruditas e populares dos períodos colonial e imperial, revelando a diversidade da produção religiosa da época. Entre os principais destaques estão seis obras inéditas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, maior nome do barroco brasileiro.

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Para o secretário municipal de Cultura e curador da mostra, Marcus Monteiro, o conjunto apresentado projeta Nova Iguaçu no cenário das grandes exposições nacionais e internacionais. “Esta é, sem dúvida alguma, uma das mais importantes exposições já realizadas no país. A última deste porte foi a ‘Brasil 500 anos’, em 2000. Esta mostra poderia estar em qualquer lugar do mundo devido à qualidade e variedade das peças”, afirma.

Entre as obras de maior relevância está a imagem de Nossa Senhora do Carmo, em madeira entalhada, atribuída a Aleijadinho e datada do século XVIII. A peça integrou a coleção da família de Bárbara Heliodora e hoje pertence a um colecionador de Brasília. Segundo o conservador e restaurador Erick Ferreira, também curador da exposição, outras obras do artista nunca haviam sido exibidas ao público. “São peças fundamentais para a história do Brasil, pois Aleijadinho foi o principal artista do período colonial brasileiro”, explica.

A curadoria é compartilhada com o museólogo do IPHAN Rafael Azevedo, que ressalta o caráter amplo da mostra. “Essas obras não pertencem apenas aos católicos, mas a toda a população. Muitas foram produzidas por santeiros das camadas populares e fazem parte do nosso patrimônio cultural. Quanto mais conhecidas, mais preservadas e valorizadas elas serão”, destaca.

Outro destaque é a imagem de São Pedro, em pedra de Ançã, atribuída a Diogo Pires, o Moço. Considerada a mais antiga escultura sacra do santo no Brasil, a peça teria sido trazida ao país em 1551 pelo primeiro bispo, Dom Pedro Fernandes Sardinha. A exposição também reúne obras atribuídas a mestres como Francisco Vieira Servas, Mestre Valentim, Simão da Cunha, Mestre de Sabará, entre outros nomes fundamentais da arte colonial.

Realizada pela Casa do Conhecimento e patrocinada pela Prefeitura de Nova Iguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu, a exposição segue em cartaz até 31 de janeiro, na Casa de Cultura Ney Alberto, no Complexo Cultural Mário Marques. O espaço funciona de terça a sábado, das 10h às 17h, com entrada gratuita.