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Inea resgata bugio em área periurbana de Paracambi, na Baixada Fluminense

Primata foi encaminhado para avaliação veterinária e poderá ser reintroduzido na natureza

Por: Redação da Folha
10/01/2026 às 07h22
Inea resgata bugio em área periurbana de Paracambi, na Baixada Fluminense

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) resgatou, nesta sexta-feira (9), um bugio (Alouatta guariba) em uma área periurbana do município de Paracambi, na Baixada Fluminense. A ação teve como objetivo garantir o bem-estar e o manejo adequado do primata e contou com a mobilização de servidores da Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual do Rio Guandu, do Hospital Veterinário de Estácio, do Bioparque e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

O animal vinha sendo avistado na região desde o mês de dezembro, o que gerou preocupação quanto à sua segurança em um ambiente com presença humana. Para realizar o resgate de forma segura, a equipe utilizou um dardo tranquilizante, técnica recomendada para evitar ferimentos e estresse excessivo ao animal.

Após a captura, o bugio foi encaminhado ao Hospital Veterinário de Estácio, localizado em Vargem Pequena, na capital fluminense. No local, o primata passará por exames clínicos e avaliações médicas, que irão determinar seu estado de saúde e as condições necessárias para uma futura devolução ao habitat natural.

De acordo com o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, a meta é garantir o retorno seguro do animal à natureza.

“Nossa intenção é reintroduzir este animal na natureza assim que possível. Nossos especialistas em fauna e biodiversidade estão acompanhando de perto a situação desse bugio, a fim de garantir que sua reintrodução seja feita da melhor forma possível e dentro de uma área protegida”, afirmou.

O bugio é um primata endêmico da Mata Atlântica e exerce um papel ecológico essencial, atuando como dispersor de sementes, o que contribui diretamente para a regeneração e manutenção das florestas. Conhecido por suas vocalizações intensas, que podem ser ouvidas a longas distâncias, o animal utiliza esse comportamento para organização social e delimitação de território. Sua alimentação é baseada principalmente em folhas e flores, e sua cauda preênsil auxilia na locomoção pelas copas das árvores, sendo raro encontrá-lo no solo.

O resgate em Paracambi conta com o respaldo técnico de décadas de estudos sobre a espécie no estado do Rio de Janeiro. Idealizado pelo primatólogo e conservacionista Adelmar Faria Coimbra Filho, o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ) foi a primeira instituição do país voltada prioritariamente para a preservação do patrimônio primatológico brasileiro.

Inaugurado em 1979 e administrado pelo Inea, o CPRJ atua há mais de 40 anos com foco na conservação de primatas nativos do Brasil, mantendo um banco genético que dá suporte às colônias e às ações de manejo. O centro trabalha exclusivamente com espécies brasileiras, com atenção especial às que se encontram sob risco de extinção.

Entre as espécies mais estudadas no CPRJ está justamente o bugio, cujo conhecimento acumulado contribui diretamente para operações de resgate, reabilitação e reintrodução, como a realizada em Paracambi, reforçando a importância da ciência e da conservação para a proteção da biodiversidade fluminense.

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