Daí em diante, o menino, que já tinha 13 anos, seria levado pelo tio, com consentimento da mãe, para morar em Luanda. Restava saber se ele queria.
- Você quer construir coisas maiores em Luanda, Ozi? - Perguntou o tio, sorrindo, interessado em seu futuro.
- Quero construir aqui. - Respondeu o menino, de modo sucinto.
E foi. Os olhos da mãe encheram-se de lágrimas. Do avião, pôde ver os contrastes entre os grandes prédios das regiões centrais e os casebres e palafitas das periferias. Mas estava perseguindo um futuro. “Parece a ponte 4 de abril”. Aquela frase não saía da cabeça, era como um incentivo. Jamais imaginou que alguém notaria suas habilidades e lhe daria uma oportunidade como essa.
Ele deixou o passado para trás, não a mãe, que pretendia rever logo que possível, mas infância pobre e sofrida, para terminar os estudos na capital. Apesar do incentivo do tio em relação aos mares, sua paixão era a pedra. Formou-se um tempo depois em Arquitetura. Conseguiu um emprego em Luanda, por intermédio de Bakari, e desenvolveu um ousado projeto, financiado internacionalmente, para construção de casas com tijolo ecológico solo-cimento em sua cidade natal.
Quando voltou para casa, dez anos depois, para entregar à sua velha mãe as chaves da casa nova, outras 150 já haviam sido construídas remotamente como parte do seu projeto. Foi recebido por uma enorme faixa em Luongo, que dizia: “Walinga Muele”.