Meio Ambiente Reserva do Tinguá
Projeto vai restaurar áreas da Reserva do Tinguá e mobilizar escolas da Baixada contra mudanças climáticas
Iniciativa da Onda Verde com apoio da Petrobras prevê plantio de 75 mil mudas nativas, educação climática para 2.400 alunos e ações comunitárias em cinco municípios
31/01/2026 08h38 Atualizada há 1 mês
Por: Redação da Folha

A Baixada Fluminense, uma das regiões mais urbanizadas do estado do Rio de Janeiro, mas que ainda guarda importantes remanescentes de Mata Atlântica, vai receber nos próximos três anos um amplo programa de restauração ambiental, educação climática e mobilização comunitária. Trata-se do Projeto Conexão Floresta e Clima, desenvolvido pela Entidade Ambientalista Onda Verde em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, além do apoio técnico do ICMBio.

A iniciativa busca unir ciência, participação popular e recuperação ecológica em um território marcado por pressões urbanas e desafios crescentes relacionados às mudanças climáticas.

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O coração do projeto está na recuperação de 30 hectares dentro da Reserva Biológica do Tinguá, em Duque de Caxias, uma das principais áreas de proteção ambiental da região metropolitana. Ao longo do ciclo do programa, estão previstos o plantio e monitoramento de cerca de 75 mil mudas nativas da Mata Atlântica.

Além do reflorestamento, o trabalho contará com inventários florestais, análises de solo, registros da biodiversidade local — como insetos presentes na área — e imagens captadas por drones com diferentes faixas de luz. As atividades de campo acontecerão entre dezembro de 2025 e agosto de 2028, incluindo fases de manutenção, replantio e atualização de modelos digitais do terreno.

Outro destaque é a produção de dados inéditos sobre a absorção de carbono na região, acompanhando o acúmulo de biomassa nas áreas restauradas. Os relatórios técnicos serão integrados a sistemas nacionais de monitoramento e às diretrizes climáticas e de biodiversidade da Petrobras.

O Conexão Floresta e Clima também coloca a juventude no centro das ações. Escolas públicas de cinco municípios da Baixada participam como polos educacionais: Magé, Belford Roxo, Guapimirim, Duque de Caxias e São João de Meriti.

Ao longo dos três anos, o projeto prevê encontros continuados de educação ambiental, capacitação de 150 estudantes e 15 professores, que formarão o coletivo Monitores do Clima.

Também serão instaladas estações meteorológicas, kits de análise da água, microscópios digitais e materiais didáticos voltados às mudanças climáticas. A programação inclui ainda produção de boletins ambientais, mutirões de plantio, campanhas de preservação hídrica e visitas ao Museu do Amanhã, ampliando a compreensão sobre o futuro climático que já impacta o presente.

A coordenadora geral do projeto, Tayane Guedes, destaca o papel transformador da ciência ambiental para os jovens da região.

“Era um sonho coletivo inspirar jovens a enxergarem na ciência ambiental não apenas um caminho profissional, mas uma possibilidade real de futuro e pertencimento”, afirmou.

Em parceria com o ICMBio, o projeto também realizará visitas guiadas na Reserva Biológica do Tinguá, envolvendo moradores, agricultores, associações locais e lideranças comunitárias. O objetivo é formar multiplicadores capazes de identificar ameaças à unidade de conservação, como incêndios, ocupações irregulares e pressões urbanas nas bordas da floresta.

Como legado técnico, o programa oferecerá duas bolsas de pesquisa — uma para graduação e outra para mestrado — voltadas à produção acadêmica em educação ambiental, ciência cidadã, restauração florestal e sequestro de carbono.

Ao longo da execução, serão produzidos relatórios anuais de biodiversidade, materiais educativos, vídeos documentais, jogos pedagógicos e conteúdos digitais.

Fundada em 1994, a Onda Verde já é responsável pelo plantio de mais de dois milhões de árvores da Mata Atlântica e agora amplia sua atuação com um programa de longo prazo que une restauração ecológica, educação climática e participação comunitária na Baixada Fluminense.

Entre as atividades iniciais previstas estão a apresentação do projeto nas escolas participantes, preparação das áreas de restauração, coletas de solo e biodiversidade na Reserva do Tinguá, elaboração de boletins ambientais e articulação com secretarias municipais de Defesa Civil para fortalecer ações de educação ambiental e prevenção climática.