Meio Ambiente Crime Ambiental
Homem é preso por extração ilegal de palmito juçara na Reserva do Tinguá, em Nova Iguaçu
Ação conjunta entre Prefeitura e ICMBio apreendeu 72 unidades da espécie ameaçada de extinção e materiais ligados à caça ilegal. Multas chegam a R$ 75 mil
31/01/2026 10h30 Atualizada há 1 mês
Por: Redação da Folha

Uma operação de fiscalização realizada na Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu, resultou na prisão em flagrante de um homem suspeito de extrair ilegalmente palmito juçara, espécie nativa da Mata Atlântica ameaçada de extinção. A ação aconteceu na última sexta-feira (30), na região de Jaceruba, e foi conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Prefeitura de Nova Iguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente.

O suspeito, identificado como Adilson de Araújo Saramargo, foi detido após cerca de seis meses de investigação iniciada com a chamada Operação Juçara. Desde então, equipes monitoravam uma trilha utilizada frequentemente para acesso ao local onde ocorria a extração dentro da unidade de conservação federal.

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Durante a abordagem, foram apreendidas 72 unidades de palmito juçara (Euterpe edulis), cuja retirada é proibida por lei. Além disso, os agentes encontraram 41 trabucos, munições e pólvora, materiais que também indicam possível prática de caça ilegal na região.

O secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Caio Carneiro Campos, destacou que o trabalho conjunto reforça o compromisso do município no enfrentamento aos crimes ambientais.

“A atuação com o ICMBio mostra o compromisso da Prefeitura de Nova Iguaçu com a proteção do meio ambiente e o combate firme a crimes ambientais. Nosso trabalho é permanente para garantir que áreas de proteção integral sejam preservadas para as futuras gerações”, afirmou.

As investigações indicam que o homem estaria envolvido não apenas na extração, mas também no transporte e na comercialização clandestina do palmito, abastecendo pontos de venda fora de Nova Iguaçu, como a feira de Areia Branca, em Belford Roxo. Há ainda registros de prisão anterior do suspeito pelo mesmo tipo de crime.

A chefe da Reserva Biológica do Tinguá, Gisele Medeiros, alertou para os impactos diretos da retirada da espécie sobre o ecossistema.

“A Reserva do Tinguá é uma área de proteção integral, onde não é permitida qualquer forma de exploração. A retirada do palmito compromete a regeneração da floresta e afeta a fauna local, que depende dessa espécie para alimentação”, explicou.

Além dos danos ambientais, a comercialização irregular do palmito também representa risco à saúde pública, já que o produto não passa por controle sanitário e pode causar doenças alimentares.

Multas ambientais que somam R$ 75 mil foram aplicadas. O suspeito foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, onde serão tomadas as medidas legais cabíveis. Todo o material apreendido terá destinação definida conforme os procedimentos dos órgãos responsáveis.