A Unidos da Ponte levou a batida do funk carioca para a Marquês de Sapucaí e encerrou o segundo dia de desfiles da Série Ouro do Carnaval 2026, na noite de sábado (14), com um espetáculo que transformou o sambódromo em um grande baile popular. A escola apostou em um enredo contemporâneo e socialmente engajado para celebrar a história da música negra no Rio de Janeiro.
Com o enredo “Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black!”, a agremiação apresentou um manifesto cultural que percorreu o movimento Black Rio, os bailes de charme e o surgimento do funk como expressão artística, política e social das periferias cariocas. A narrativa destacou o papel dos bailes como espaços de resistência, pertencimento e celebração da identidade negra urbana.
Alegorias, fantasias e coreografias retrataram a evolução da música preta urbana, do soul e do charme ao tamborzão, evidenciando o funk como patrimônio cultural e linguagem de afirmação comunitária. A comissão de frente apostou em uma narrativa visual que uniu ancestralidade, memória e modernidade, reforçando o diálogo entre passado e presente da cultura negra no Rio.
A bateria e os componentes levaram para a avenida a energia dos bailes de favela, criando uma atmosfera de festa e representatividade que empolgou o público nas arquibancadas. A Unidos da Ponte foi a última escola a desfilar no sábado e integrou o grupo de 15 agremiações que disputaram o título da Série Ouro e uma vaga no Grupo Especial de 2027.
Tradicional representante de São João de Meriti, a escola reafirmou seu papel como uma das vozes culturais da Baixada Fluminense ao apostar em um enredo que dialoga com a realidade das periferias e valoriza a história da música negra no Carnaval carioca.