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Acidentes de moto lotam hospital em Nova Iguaçu e internações aumentam 134,7%

Especialistas alertam para a gravidade dos casos e a necessidade de mais conscientização no trânsito

Por: Redação da Folha
19/03/2025 às 15h53 Atualizada em 20/03/2025 às 08h55
Acidentes de moto lotam hospital em Nova Iguaçu e internações aumentam 134,7%
Foto: Renato Fonseca/PMNI

O Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) tem enfrentado um aumento preocupante no número de internações por acidentes de moto. Em 2024, três a cada dez pacientes motociclistas atendidos na unidade precisaram ser hospitalizados. Ao longo do ano passado, foram 3.329 atendimentos a vítimas de acidentes com motos, dos quais 864 resultaram em internações — um aumento de 134,7% em relação a 2023, quando 368 motociclistas foram hospitalizados.

A tendência de alta continua em 2025. Apenas nos dois primeiros meses do ano, 485 motociclistas foram atendidos no HGNI, e 159 deles precisaram de internação, o que equivale a 32,7% dos casos. Segundo especialistas, o crescimento da frota de motocicletas aliado à imprudência no trânsito são os principais fatores para essa realidade.

O secretário municipal de Saúde de Nova Iguaçu, Luiz Carlos Nobre Cavalcanti, que também é médico ortopedista, destaca a seriedade das ocorrências.

“Os casos de acidentes de moto que chegam ao hospital têm chamado a atenção pela gravidade. Muitos condutores sofrem traumatismos cranianos e fraturas expostas graves nos braços ou pernas, que podem resultar em morte, invalidez ou sequelas permanentes. A conscientização sobre esse tema é essencial para salvar vidas.”

Os acidentes de moto já representam a principal causa de atendimentos de emergência no HGNI, superando em mais do que o dobro os acidentes de carro. Grande parte dessas ocorrências acontece nos fins de semana e envolve motociclistas sem habilitação, sob efeito de álcool ou sem equipamentos adequados de proteção.

O diretor-geral do HGNI, Ulisses Melo, reforça que a falta de capacetes, luvas e vestimentas apropriadas agrava o risco de complicações médicas.

“Sem os equipamentos de proteção, o potencial de lesão em uma colisão ou queda de moto aumenta consideravelmente. O atendimento médico de emergência se torna mais complexo, prolonga o tempo de internação e, em alguns casos, aumenta o risco de mortalidade.”

O aumento nos acidentes tem levado vítimas a repensarem o uso da moto. Sebastião Dias de Oliveira, 51 anos, decidiu vender o veículo após sofrer um acidente na Rodovia Presidente Dutra, no dia 22 de fevereiro.

Mesmo utilizando equipamentos de segurança, Sebastião sofreu uma fratura exposta no fêmur esquerdo e precisou passar por cirurgia. Ele ficou 22 dias internado até receber alta.

“Eu estava na Dutra e outra moto bateu em mim. Só lembro disso do acidente; fiquei desacordado e acordei apenas no hospital. A pancada foi tão forte que parecia que jogaram um martelo no meu capacete. Eu senti muita dor. Lembro apenas do médico me dizendo, já no hospital, que eu nasci de novo por ter saído dessa. Não quero andar de moto nunca mais.”

O aumento das internações também reflete na demanda por cirurgias. De acordo com Rodrigo Petito, coordenador dos serviços de ortopedia e traumatologia do HGNI, as fraturas de tíbia e fêmur são as mais comuns, e a recuperação pode levar até seis meses.

“Com o crescimento dos acidentes de moto, tivemos um aumento significativo de internações no centro de trauma do hospital. Isso resultou em mais procedimentos cirúrgicos de emergência, principalmente para fraturas expostas, e nas cirurgias definitivas.”

Diante desse cenário alarmante, médicos reforçam o alerta para a necessidade de mais prudência no trânsito e o uso obrigatório de equipamentos de segurança. O respeito às leis de trânsito pode ser a diferença entre a vida e a morte. 

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