Coluna A mão estendida...
Abismo
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23/08/2025 09h38 Atualizada há 6 meses
Por: Fernando Lúcio de Oliveira

Andou desatento e caiu no buraco. Durante algumas horas, gritou. Pela força dos gritos, o lugar era profundo e frio e feio e sujo. O medo aumentou. Debateu-se. Arranhou o braço. Mordeu a mão. Ouviu ruídos cada vez mais próximos. Do medo, tapou os ouvidos e sentou-se. Apareceu alguém, ouviu, na calmaria da noite, o ranger de dentes vindo do abismo. Aproximou-se com cuidado, chamou, estendeu a mão. Sem resposta. Era muito longe. Não tinha ninguém. Foi-se. Lá estava o outro, porém: sentado, tremendo e faminto. Se ficasse em pé, quase alcançaria o topo (e certamente aquela mão). Era eu, era você.