O Projeto Saúde das Mulheres Negras participou, na última segunda-feira (11), da abertura da Semana da Enfermagem da Universidade Estácio de Sá, realizada no campus do Norte Shopping. A atividade teve como tema “Saúde das Mulheres Negras: Uma Questão de Equidade” e reuniu estudantes, profissionais da saúde e moradores da região para debater os impactos do racismo estrutural no acesso aos serviços públicos de saúde.
A iniciativa é desenvolvida pela Casa da Cultura da Baixada com apoio da Criola, organização reconhecida pela atuação em defesa dos direitos das mulheres negras. O encontro aconteceu no auditório da faculdade e promoveu reflexões sobre desigualdade racial, políticas públicas e os desafios enfrentados por mulheres negras dentro do sistema de saúde brasileiro.
Durante o debate, os participantes analisaram os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente o conceito de equidade, que prevê oferecer mais atenção e recursos às populações em situação de maior vulnerabilidade. A discussão destacou que, apesar do princípio estar garantido nas diretrizes do SUS, mulheres negras ainda enfrentam dificuldades no acesso ao atendimento de qualidade, além de episódios frequentes de negligência, discriminação e violação de direitos.
A programação também abordou a trajetória histórica do movimento negro e de organizações sociais no combate ao racismo institucional. Segundo os organizadores, o objetivo foi ampliar a conscientização sobre como o racismo estrutural afeta diretamente a qualidade do cuidado oferecido à população negra, influenciando desde o acesso à informação até o atendimento médico e psicológico.
A assistente social e representante do Projeto Saúde das Mulheres Negras, Leila Regina, participou como palestrante do encontro. Ela destacou a importância de criar espaços de diálogo dentro das instituições de ensino para fortalecer a formação de profissionais mais preparados para lidar com as desigualdades sociais presentes na saúde pública.
O evento também contou com a participação das professoras Renata Dutra, especialista em Saúde da Mulher e Políticas Públicas, e Raphaela Barreto, enfermeira da Saúde Mental e coordenadora do curso de graduação em Enfermagem da universidade, responsáveis pela coordenação da atividade.
Além das palestras, o encontro serviu como espaço de troca de experiências entre estudantes, profissionais da saúde e representantes da sociedade civil. A proposta foi fortalecer ações de acolhimento, conscientização e promoção da equidade racial no atendimento público, incentivando uma formação acadêmica mais humanizada e comprometida com a justiça social.





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