Professora de Duque de Caxias recebe Diploma Abdias Nascimento por atuação na educação antirracista

Projeto sobre ancestralidade e identidade negra desenvolvido em escola pública será um dos destaques da homenagem



A professora Cleide Magesk, do CIEP 097 Carlos Chagas / Intercultural Brasil-China, será homenageada nesta quinta-feira (14) com o Diploma Abdias Nascimento, reconhecimento concedido a personalidades que atuam na promoção da igualdade racial e da educação antirracista.

A cerimônia será realizada na própria unidade escolar, em Duque de Caxias, e destaca o trabalho desenvolvido pela educadora na valorização da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da representatividade dentro do ambiente escolar.

Entre as iniciativas lideradas pela professora está o projeto “Trançando Histórias”, desenvolvido em 2024 com estudantes da escola. A proposta utilizou as tranças africanas como ferramenta pedagógica para discutir identidade negra, memória, autoestima e pertencimento entre os alunos.

Segundo Cleide Magesk, o projeto surgiu a partir da observação da presença das tranças no cotidiano dos estudantes e da necessidade de aprofundar o significado cultural dessa prática.

“O projeto surgiu ao perceber que muitos estudantes utilizavam tranças como expressão estética e cultural. A partir dessa identificação, nasceu a ideia de transformar o tema em uma experiência educativa construída coletivamente com os alunos”, explicou a professora.

Durante as atividades, os estudantes participaram de pesquisas, leituras, rodas de conversa e debates sobre a origem histórica das tranças africanas e seus significados sociais e culturais ao longo do tempo. De acordo com a educadora, muitos alunos desconheciam a relação das tranças com a ancestralidade africana antes do desenvolvimento do projeto.

A iniciativa também resultou na produção de um documentário elaborado pelos próprios estudantes, ampliando o debate sobre identidade negra e representatividade para além da sala de aula.

O trabalho dialoga diretamente com a Lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas brasileiras. Mais do que atender à legislação, o projeto buscou criar espaços de reconhecimento e valorização da identidade dos estudantes da rede pública.

Para a comunidade escolar, ações como essa contribuem para fortalecer a autoestima dos jovens e promover uma educação mais inclusiva e conectada às realidades sociais e culturais dos alunos.

A homenagem com o Diploma Abdias Nascimento reforça a importância de práticas pedagógicas voltadas ao combate ao racismo dentro das escolas e reconhece o impacto social e humano de projetos desenvolvidos na educação pública.

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