A pedra verde


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Gi voltou da escola cabisbaixa, sentindo o peso da prova malfeita e de ser adolescente, menina, cheia de dúvidas. Chutando a poeira do caminho, encontrou uma pedra pequena e esverdeada, que reluzia como se guardasse luz própria. Uma pedra dessas no meio da rua? Parece que saiu de um conto fantástico…

Curiosa, pegou-a e olhou em volta. Nenhuma colega fofoqueira. Nenhum garoto bobão. A pedra parecia ter um imã, atraía sua mão. O mundo pareceu prender a respiração: o chão brilhou, o ar cheirou à terra molhada, e um sussurro percorreu seus ouvidos — não humano, mas como se a pedra contasse segredos que nenhum livro ensinaria.

Uma espécie de energia fez o seu corpo inteiro tremer. Seus olhos, antes castanho-escuros, tornaram-se verdes. Seu cabelo, antes loiro, agora era ruivo feito brasa. Ela piscou. A rua voltou ao normal, mas a pedra vibrava na palma da mão, como se tivesse vida própria. Ainda não compreendia o que estava acontecendo e não tinha ideia de como explicaria. Era como se a própria essência da pedra tivesse se fundido a ela, tornando-a única.

Fechou a mão, para guardá-la até decidir a quem mostraria primeiro. Seu punho esverdeou-se e tremeu todo, até que aquela coisinha verde escapou, subiu ao céu feito foguete e explodiu nas alturas, transformando-se em milhares de pequenas luzes verdes que caíam sobre a cidade.

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