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A flauta mágica

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Por: Fernando Lúcio de Oliveira
23/10/2025 às 06h00

Yuri nasceu homem, alto, olhos azuis. “Duas piscinas no meio da favela”, diziam. Um dia, aos 19 anos, olhou-se no espelho e pensou: “acho que sou mulher”. Num instante, viu novos seios, lábios, cabelos, desejos, liberdades, uma pepeka perfeitamente desenhada. Daí penetrou-lhe a natureza, o medo, a escravidão por remédios e hormônios, a impossibilidade de ser mãe… novos desafios e limitações.

Quando percebeu que tornar-se fêmea era um encanto do flautista e que continuaria tendo que trabalhar e sofrer pressões e ter problemas e morrer, tomou um banho e foi para a faculdade.

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