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Hospital de Nova Iguaçu participa de estudo internacional com novo medicamento contra o HIV

HGNI é um dos nove centros de pesquisa do Brasil no Purpose 2, que testa o Lenacapavir, injetável com eficácia acima de 95% na prevenção da doença

Por: Redação da Folha
01/09/2025 às 14h49 Atualizada em 03/09/2025 às 07h59
Hospital de Nova Iguaçu participa de estudo internacional com novo medicamento contra o HIV

Referência em atendimentos de urgência e emergência na Baixada Fluminense, o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) também vem se consolidando como protagonista em estudos clínicos de relevância internacional. A unidade integra o Purpose 2, pesquisa liderada pela biofarmacêutica Gilead Sciences que desenvolveu o Lenacapavir, medicamento injetável aplicado a cada seis meses e com eficácia superior a 95% na prevenção ao HIV.

O estudo reúne instituições da América Latina, Ásia e Estados Unidos, e o Brasil participa com nove centros de pesquisa, entre eles o HGNI e a Fiocruz, únicos do Estado do Rio de Janeiro. Os resultados preliminares foram publicados em 2024 no New England Journal of Medicine, um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo.

Com histórico de participação em pesquisas de impacto global — como o Mosaico, sobre vacina experimental contra o HIV, e o Ensemble, que testou a vacina da Janssen contra a Covid-19 —, o HGNI agora contribui para uma possível virada na prevenção do HIV. O Lenacapavir tem potencial para substituir a PrEP oral (comprimidos diários fornecidos pelo SUS) por apenas duas aplicações anuais, o que pode ampliar a adesão ao tratamento, especialmente entre os públicos mais vulneráveis.

A pesquisa foi conduzida no ambulatório especializado em infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) do HGNI, que integra a rede nacional de ensaios clínicos do Ministério da Saúde. Ao todo, 80 voluntários — entre homens gays, pessoas trans e não-binárias — foram acompanhados por cerca de dois anos, recebendo o medicamento a cada 26 semanas. Além da alta eficácia, o estudo mostrou bom perfil de segurança, com efeitos adversos leves e alta taxa de adesão.

Estudos em PrEP com novas alternativas de medicamentos injetáveis e com novas abordagens estratégicas são de fundamental importância para a luta contra o vírus HIV em todo o mundo. Com investimentos em prevenção, poderemos evitar milhões de infecções, principalmente entre seu público-alvo”, destacou Aline Ramalho, coordenadora do Departamento de IST do HGNI.

Um dos voluntários, identificado pelas iniciais C.G, de 21 anos, relatou melhora significativa na qualidade de vida:
“Antes, eu vivia com aquela preocupação constante, mesmo tomando os comprimidos todos os dias. Desde que iniciei o tratamento com o Lenacapavir, tenho ficado mais à vontade. É muito mais prático e confortável saber que estou protegido com apenas duas aplicações por ano. Isso fez toda a diferença na minha rotina.”

O Purpose 2 deve ser concluído em 2026, mas os resultados iniciais já apontam para um marco na prevenção ao HIV em escala global, reforçando a importância da pesquisa clínica realizada no Brasil e o protagonismo do HGNI nesse cenário.

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