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Nova Iguaçu cria primeiro ambulatório itinerante do Brasil contra tuberculose grave

Parceria com a Fiocruz garante atendimento multidisciplinar e gratuito no SUS, reduzindo deslocamentos e ampliando a adesão ao tratamento

Por: Redação da Folha
06/09/2025 às 09h59 Atualizada em 09/09/2025 às 16h00
Nova Iguaçu cria primeiro ambulatório itinerante do Brasil contra tuberculose grave
Foto: Renato Fonseca / PMNI

Nova Iguaçu se tornou referência nacional no combate à tuberculose grave ao implantar, em parceria com o Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/Fiocruz), o primeiro ambulatório itinerante do país voltado exclusivamente para o tratamento da doença. O serviço funciona duas vezes por mês no Centro de Saúde Vasco Barcelos, oferecendo atendimento multidisciplinar e entrega gratuita de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes da iniciativa, pacientes precisavam se deslocar até Curicica, na Zona Oeste do Rio, para conseguir acompanhamento. Agora, recebem consultas e apoio completo sem sair da cidade.

“O ambulatório itinerante é um avanço no enfrentamento à tuberculose em suas formas mais graves, quando a bactéria se torna resistente à medicação normalmente utilizada. Essa parceria amplia nosso acolhimento e a assistência aos pacientes”, destacou o secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Nobre Cavalcanti.

No primeiro semestre de 2025, a rede municipal registrou 638 atendimentos, com 34 pacientes já curados. Cerca de 60 pessoas estão em acompanhamento no ambulatório itinerante desde janeiro, com apenas três abandonos — uma das menores taxas já registradas. O tratamento pode durar de seis a 18 meses, dependendo da gravidade.

Para o pesquisador da Fiocruz Paulo Victor Viana, a descentralização trouxe ganhos significativos: “Com a implantação do ambulatório na cidade, conseguimos avaliar mais de perto a adesão, reduzir faltas e oferecer acompanhamento contínuo, com consultas e medicamentos acessíveis”.

Além do ambulatório, Nova Iguaçu conta com quatro unidades de referência — Vasco Barcelos, Hospital Geral de Nova Iguaçu, Clínica da Família do Ambaí e a de Vila de Cava — e mais 58 Unidades Básicas de Saúde (UBS). O município investiu também na logística: amostras são enviadas por motoboys ao Vasco Barcelos para Testes Rápidos Moleculares (TRM), agilizando o diagnóstico.

Segundo a gerente de Doenças Crônicas da Secretaria Municipal de Saúde, Lígia Maria Domingos, a ampliação do diagnóstico foi fundamental: “Há três anos, Nova Iguaçu registrava cerca de 700 casos de tuberculose. Esse número dobrou, chegando a 1.300, o que mostra que estamos diagnosticando mais pessoas e garantindo tratamento eficaz”.

O trabalho ainda se integra à assistência social: pacientes recebem apoio psicológico, social e podem contar com o cartão alimentação de R$ 250 mensais fornecido pelo Governo do Estado.

Exemplo disso é o estudante Allan Caíque Gonçalves, 18 anos, morador do Ambaí. Ele percorria 60 quilômetros até Curicica para se tratar e hoje faz acompanhamento perto de casa. “Foi um choque receber o diagnóstico, mas agora consigo me tratar perto da família e recuperar minha saúde e dignidade. Digo a todos: não tenham vergonha, façam o teste e procurem ajuda”.

A tuberculose é uma doença infecciosa transmitida pelo ar, com sintomas como tosse persistente, febre no fim do dia, suor noturno e emagrecimento. O tratamento é gratuito pelo SUS e deve ser seguido até o fim para garantir a cura.

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