
A Baixada Fluminense, composta por 13 municípios — Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica — possui uma das malhas ferroviárias mais antigas e estratégicas do estado do Rio de Janeiro. Apesar do potencial, grande parte dessas linhas encontra-se desativada, sob concessão de empresas de logística ou com utilização restrita pela SuperVia, deixando de cumprir um papel essencial no transporte de passageiros e no desenvolvimento regional.
Diversos ramais que atravessam a Baixada, especialmente em cidades como Magé, Itaguaí e Seropédica, estão hoje sob concessão de operadoras de logística para transporte de cargas. Nesses trechos, a circulação de trens de passageiros foi interrompida, deixando comunidades inteiras sem acesso ao transporte ferroviário, mesmo com estações históricas preservadas ou abandonadas.
Cidades como Magé, que possuem estações centenárias, poderiam hoje estar conectadas não só ao Rio de Janeiro, mas também a polos turísticos e econômicos da Costa Verde e Região Serrana. Entretanto, o predomínio da malha voltada ao escoamento de mercadorias impede que a população local usufrua desse patrimônio.
Nos ramais ainda operados pela SuperVia — como Japeri, Belford Roxo, Saracuruna e o curto ramal Guapimirim — a situação também enfrenta desafios. Apesar de serem importantes eixos de mobilidade para milhares de passageiros diariamente, a falta de integração e modernização limita o potencial turístico e logístico.
O ramal Vila Inhomirim, que passa por áreas de grande relevância histórica em Magé, é um exemplo: hoje subutilizado, poderia se transformar em um corredor cultural e turístico, atraindo visitantes para conhecer antigas estações e a história ferroviária da região.
A Baixada Fluminense abriga estações que fazem parte da memória do Brasil. Estruturas centenárias como as de Magé, Japeri e Paracambi não apenas contam a história do desenvolvimento ferroviário nacional, mas poderiam se tornar pontos de atração turística, conectando trilhas, cachoeiras, igrejas históricas e outros atrativos locais.
A criação de linhas turísticas, como já acontece em outros estados, poderia revitalizar a economia local e gerar emprego, além de fortalecer o sentimento de pertencimento da população.
A reestruturação da malha ferroviária da Baixada Fluminense traria múltiplos benefícios:
Mobilidade urbana: mais opções de deslocamento rápido, seguro e sustentável entre os municípios e a capital.
Integração logística: aproveitamento das linhas para o transporte de cargas leves e integração com polos industriais da região.
Turismo e cultura: valorização do patrimônio histórico e criação de novos roteiros culturais e turísticos.
Desenvolvimento econômico: atração de investimentos, fortalecimento do comércio e geração de empregos diretos e indiretos.
Reativar e modernizar a malha ferroviária da Baixada Fluminense é mais do que uma necessidade de transporte: é um projeto de integração regional, que valoriza a história, promove o turismo e garante dignidade e mobilidade à população.
Com planejamento e investimentos, os trilhos que hoje estão esquecidos podem voltar a ser protagonistas no desenvolvimento da região e no fortalecimento da conexão entre a Baixada, o Rio de Janeiro e outras regiões do estado.