
O documentário “Amuleto”, dirigido por Heraldo HB e Igor Barradas, abre a programação do 5º Festival Mate com Angu de Cinema com uma noite especial dedicada à celebração do cinema feito na Baixada Fluminense. A exibição gratuita acontece nesta segunda-feira (20), na abertura oficial do festival, após a estreia nacional do longa na Première Brasil do Festival do Rio, uma das mostras mais prestigiadas do país.
Produzido pelo Coletivo Mate com Angu, o filme revisita o clássico “O Amuleto de Ogum” (1975), de Nelson Pereira dos Santos — gravado em Duque de Caxias — e recupera memórias de artistas locais, como Chico Santos, destacando o protagonismo da Baixada na história do cinema brasileiro. Com imagens de arquivo, entrevistas inéditas e uma trilha sonora original, “Amuleto” é um manifesto sobre a força do audiovisual produzido fora do eixo tradicional Rio-São Paulo.
Além do longa, a noite de abertura também contará com a exibição do curta “Dois Nilos”, dirigido por Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pelo Sympla.
A produtora Giordana Moreira destacou o simbolismo da estreia:
“A presença do Amuleto na Première Brasil e agora no Festival Mate com Angu representa a resistência de décadas dos fazedores de cultura da Baixada. É um convite para que o mercado olhe para essa região e enxergue a potência que a gente constrói todos os dias.”
Ela reforçou ainda a importância de valorizar a linguagem periférica dentro do cinema:
“As pessoas consomem a estética e a linguagem da periferia, mas é fundamental que reconheçam quem produz isso. O Amuleto mostra que é possível criar, gerar renda e fortalecer o audiovisual dentro da periferia.”
A roteirista Luisa Pitanga celebrou a representatividade da produção:
“Já estava mais do que na hora da Baixada estar representada no Festival do Rio. O cinema da periferia é pulsante e não tem volta.”
Para o diretor Heraldo HB, o momento é de celebração e conquista coletiva:
“É a confirmação de que o cinema feito na Baixada Fluminense tem força, história e um futuro promissor. O Mate com Angu segue mostrando que o audiovisual é uma ferramenta de resistência e identidade. Agora, é hora de todos se verem no cinema.”
O diretor Igor Barradas complementa que o filme também aposta em uma experiência sensorial:
“A trilha sonora original dita o ritmo e a emoção, levando o público a uma jornada sonora inesperada.”
O 5º Festival Mate com Angu de Cinema reafirma o papel de Duque de Caxias como polo de criação audiovisual e convida o público a participar de uma programação repleta de exibições, debates e homenagens que destacam o talento e a criatividade da Baixada Fluminense.