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Levantamento aponta predominância de moradores negros e longa permanência das famílias no território da Baixada Fluminense

Levantamento aponta predominância de moradores negros e longa permanência das famílias no território da Baixada Fluminense

Por: Redação da Folha
09/02/2026 às 16h26
Levantamento aponta predominância de moradores negros e longa permanência das famílias no território da Baixada Fluminense

Um levantamento realizado em janeiro de 2026 no bairro Geneciano, em Nova Iguaçu, revelou características marcantes do território, como a predominância da população negra e o forte vínculo dos moradores com o local. A pesquisa foi conduzida pela assessora de Pesquisa Social do projeto Cultura na Faixa, Viviane Gonzales, e traça um retrato social de uma área periférica da Baixada Fluminense.

De acordo com o estudo, 75% dos moradores que participaram da pesquisa se autodeclararam pretos ou pardos, sendo 46% pardos e 29% pretos. Pessoas brancas representaram 25% dos respondentes. Embora não tenha havido autodeclaração indígena nos formulários, o relatório aponta a presença de moradores indígenas no território, o que pode indicar barreiras culturais ou simbólicas no processo de identificação racial.

O levantamento também destaca a importância da população negra na região. Na Baixada Fluminense, cerca de 69% dos moradores se declaram pretos ou pardos, o que faz da região um dos principais polos de população negra no estado do Rio de Janeiro. No Geneciano, esse percentual é ainda maior, reforçando o caráter majoritariamente negro do bairro.

Outro dado relevante é o tempo de residência dos moradores. Segundo a pesquisa, 68% dos entrevistados vivem no bairro há mais de dez anos, o que indica estabilidade territorial e forte vínculo comunitário. Essa permanência contribui para a formação de redes de apoio, relações de vizinhança consolidadas e manutenção de práticas culturais ao longo das gerações.

Para Viviane Gonzales, os dados evidenciam a presença de famílias negras com trajetória histórica no bairro, formando uma comunidade enraizada e com forte identidade local. Segundo ela, esse vínculo territorial se constrói mesmo em um contexto de desigualdades estruturais, como renda per capita baixa, precariedade urbana e maior exposição a violações de direitos.

Os dados foram coletados por meio de formulários aplicados junto à comunidade no âmbito do projeto Cultura na Faixa, promovido pela ONG Se Essa Rua Fosse Minha (SER), em convênio com a Transpetro, com foco em compreender o perfil social e cultural do território.

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