Moradores de diversos municípios da Baixada Fluminense foram surpreendidos, na madrugada deste sábado (20), por alertas sonoros e mensagens enviadas para celulares que simulavam comunicados oficiais da Defesa Civil. Os avisos, recebidos entre aproximadamente 23h30 de sexta-feira (19) e 1h da manhã de sábado (20), causaram preocupação e estranhamento devido ao conteúdo incomum e à utilização de termos incompatíveis com os protocolos normalmente adotados pelos órgãos de emergência.
As mensagens foram enviadas por meio do sistema nacional de alertas da Defesa Civil e indicavam uma suposta possibilidade de deslizamentos em regiões do estado do Rio de Janeiro. No entanto, o texto continha frases desconexas e expressões sem relação com comunicados oficiais, incluindo a mensagem “misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”, o que rapidamente levantou dúvidas sobre a autenticidade do alerta.
Além da mensagem exibida diretamente na tela dos celulares, diversos usuários também relataram o recebimento de SMS com conteúdo semelhante. Segundo relatos recebidos pela reportagem, os alertas foram registrados em diferentes estados brasileiros, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Bahia.
O sistema Defesa Civil Alerta foi criado para avisar a população sobre situações de risco iminente, como chuvas intensas, enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos de terra. Quando acionado oficialmente, o serviço emite um som de emergência e exibe uma mensagem em formato pop-up que se sobrepõe ao conteúdo mostrado na tela do celular. A tecnologia foi desenvolvida para garantir que moradores de áreas sob risco recebam o aviso imediatamente, permitindo que adotem medidas de proteção com rapidez.
Por utilizar um mecanismo destinado a situações reais de emergência, o alerta recebido durante a madrugada provocou preocupação entre milhares de pessoas. Muitos moradores relataram ter acordado com o som emitido pelos aparelhos e procurado informações sobre possíveis ocorrências climáticas em suas cidades, especialmente porque não havia registros de condições meteorológicas que justificassem o disparo da mensagem.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro informou que não emitiu qualquer alerta à população na madrugada deste sábado. Segundo a pasta, o comunicado recebido por usuários de telefonia móvel em diferentes localidades do país decorreu de uma instabilidade no sistema de envio de alertas IDAP/Cell Broadcast, plataforma sob responsabilidade da Defesa Civil Nacional, vinculada ao Governo Federal.
A Secretaria Estadual esclareceu ainda que não havia qualquer situação de risco relacionada a desastres naturais que justificasse a emissão de alertas para a população fluminense. O órgão informou que a Defesa Civil Nacional foi acionada para identificar as causas da falha e adotar as medidas necessárias para normalizar o funcionamento da plataforma.
Posteriormente, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil divulgou uma nota informando que a plataforma Defesa Civil Alerta foi retirada do ar às 1h30 deste sábado após sofrer uma invasão. De acordo com o comunicado, um alerta extremo foi disparado remotamente para diversas regiões do país por alguém não autorizado a operar o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A nota federal destaca que a mensagem enviada continha a palavra “misantropia”. O termo significa aversão, desprezo ou ódio à humanidade e às pessoas em geral. Segundo a Defesa Civil Nacional, a utilização dessa expressão reforça a suspeita de que o sistema tenha sido alvo de um ataque hacker.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que a Polícia Federal será acionada para investigar o caso e identificar os responsáveis pela invasão. O sistema permanecerá fora do ar até que as condições de segurança sejam restabelecidas e o funcionamento da plataforma seja considerado seguro.
O episódio gerou ampla repercussão nas redes sociais ao longo da madrugada e da manhã deste sábado. Moradores da Baixada Fluminense e de outras regiões do país compartilharam capturas de tela das mensagens recebidas e relataram o susto causado pelo alerta inesperado.
A reportagem acompanha o caso e esta matéria poderá ser atualizada a qualquer momento conforme a divulgação de novas informações oficiais pelas autoridades responsáveis.







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