Levantamento com base nos registros da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) aponta que seis das 13 ligas municipais da Baixada Fluminense estão com status de inativas em 2026. Permanecem ativas as ligas de Belford Roxo, Queimados, São João de Meriti, Itaguaí, Seropédica, Japeri, Guapimirim e Magé. Já as entidades de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Paracambi, Mesquita e Nilópolis aparecem como inativas no cadastro da federação.
As ligas municipais são responsáveis por aproximar os clubes amadores da estrutura da FERJ. Entre suas atribuições estão a organização de competições locais, o registro de atletas, o cumprimento das normas da federação e a realização das fases regionais de campeonatos, além de garantir que as partidas sejam disputadas dentro dos padrões técnicos e administrativos exigidos.
Até o início da década de 2010, essas entidades exerciam um papel mais relevante no cenário esportivo regional. Em muitos municípios, as ligas promoviam campeonatos tradicionais, reuniam grande número de clubes filiados e mantinham participação ativa no desenvolvimento do futebol amador e das categorias de base. Também eram uma importante fonte de informações para atletas, dirigentes, torcedores e veículos de comunicação.
Nos últimos anos, entretanto, dirigentes esportivos, clubes e profissionais que acompanham o futebol amador observam uma redução no protagonismo de parte dessas entidades. Em diversos municípios, a realização de competições diminuiu e a divulgação de calendários, regulamentos, resultados e atos administrativos passou a ocorrer de forma menos frequente.
Na avaliação da equipe de reportagem da Folha da Baixada, a falta de transparência também tem dificultado a cobertura jornalística do futebol amador. Com frequência, o portal busca informações junto às ligas municipais sobre campeonatos, eleições, calendário esportivo e projetos desenvolvidos, mas encontra dificuldade para obter respostas ou acessar informações atualizadas. A ausência de canais oficiais ativos e de uma comunicação mais eficiente acaba prejudicando não apenas o trabalho da imprensa, mas também atletas, clubes e a própria população interessada em acompanhar o esporte local.
Especialistas em gestão esportiva apontam que a transparência é um dos pilares para o fortalecimento das entidades esportivas. A divulgação periódica de informações institucionais, regulamentos, prestação de contas, composição das diretorias e calendário de competições contribui para aumentar a credibilidade das ligas e estimular a participação de clubes e praticantes.
Entre os fatores que podem levar uma liga ao status de inativa estão inadimplência financeira junto à federação, pendências estatutárias e documentais, ausência de eleições regularmente comunicadas, falta de participação em competições oficiais e descumprimento de exigências administrativas ou técnicas. Problemas relacionados à infraestrutura esportiva também podem impedir a realização de jogos oficiais.
Para retornar à condição de ativa, a entidade deve regularizar sua situação administrativa e financeira junto à FERJ, atualizar a documentação exigida e solicitar formalmente sua reativação.
Um dos casos registrados em 2026 é o da Liga de Desportos de Duque de Caxias, que sofreu intervenção administrativa determinada pela FERJ por meio da Resolução da Presidência (RDP) nº 028/26. A medida afastou a diretoria da entidade e nomeou um interventor em razão de pendências documentais e estatutárias.
Mesmo diante desse cenário, dirigentes esportivos defendem que o fortalecimento das ligas municipais continua sendo essencial para o crescimento do futebol amador e da formação de novos atletas. Para isso, além da regularização administrativa, o setor aponta como fundamental a retomada de competições, maior aproximação com os clubes e uma política de comunicação mais transparente com a sociedade.





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