O Centro Cultural Meritiense recebeu, na quinta-feira (23), a sexta edição do Certificado Zeelândia Cândido, iniciativa criada para reconhecer mulheres e personalidades que atuam na promoção da igualdade racial, na defesa dos direitos humanos e no fortalecimento das comunidades. A cerimônia foi realizada em referência ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
O evento reuniu representantes do poder público, integrantes de movimentos sociais, lideranças comunitárias, instituições culturais e as homenageadas desta edição. Entre as organizações participantes esteve a Casa da Cultura da Baixada, que teve representantes reconhecidas pelo trabalho desenvolvido na valorização da cultura afro-brasileira e da memória da população negra.
A homenagem carrega o nome de Zeelândia Cândido de Andrade, ativista de São João de Meriti e filha de João Cândido Felisberto, conhecido como “Almirante Negro”, uma das principais lideranças da Revolta da Chibata. Ao longo da vida, Zeelândia atuou na preservação da memória do pai e na luta pelo reconhecimento histórico do movimento.
Nesta edição, a programação também destacou a trajetória de Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII e símbolo da resistência negra e da liderança feminina, considerada uma das principais referências para as celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
A abertura contou com a participação da presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial (COMIRA), Leila Regina, que também integra a equipe da Casa da Cultura da Baixada. Durante o evento, ela ressaltou a importância da preservação da memória, do fortalecimento das políticas públicas de igualdade racial e do reconhecimento de mulheres que contribuem para transformar suas comunidades.
Também participaram da cerimônia o subsecretário de Igualdade Racial, Pierre Meireles; o superintendente Athaylton Jorge; e a subsecretária da Mulher, Ruth Tebaldi.
A programação reuniu apresentações culturais dos alunos da Escola de Dança Hudson Vieira, momentos de poesia e uma roda de conversa com o tema “Autoestima da Mulher Negra”, conduzida pela professora Maria Lúcia e por Pretta Gonçalves.
Durante o debate, Pretta Gonçalves destacou a importância da representatividade e da valorização da identidade negra. “A autoestima da mulher negra não foi construída por acaso. Durante muito tempo, nos foi negado o lugar da beleza, da representatividade e do reconhecimento. Hoje, precisamos olhar para mulheres negras como nós com admiração e entender que a nossa beleza sempre existiu”, afirmou.
Reconhecimento a trajetórias de luta
A etapa mais aguardada da cerimônia foi a entrega do Certificado Zeelândia Cândido, concedido a mulheres e personalidades que se destacam em ações voltadas à igualdade racial, aos direitos humanos e ao desenvolvimento social.
Entre as homenageadas estavam a diretora da Casa da Cultura da Baixada, Letícia Florêncio, e a coordenadora da instituição, Margareth Felipe.
Ao receber o reconhecimento, Letícia Florêncio destacou a importância da homenagem e do trabalho coletivo desenvolvido pela instituição na valorização da cultura e da população negra.
“Essa celebração de hoje dá sequência e consequência às lutas das mulheres que nos antecederam e também inspira as mulheres que ainda irão se formar nessas trincheiras. Que orgulho fazer parte deste momento especial com pessoas que têm compromisso com a luta antirracista, com a igualdade racial e com os direitos das mulheres”, declarou.
A participação da Casa da Cultura da Baixada reforça o papel da instituição na preservação da memória, no incentivo à cultura afro-brasileira e na construção de iniciativas voltadas para uma sociedade mais inclusiva e comprometida com a igualdade racial.





Comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo.
Seja o primeiro a comentar!