As chuvas registradas em fevereiro de 2026 em Nova Iguaçu entraram para a história como algumas das mais intensas já observadas no município. Levantamento com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia e medições recentes de órgãos como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade aponta que três estações locais ficaram entre os dez maiores acumulados já registrados para o mês em mais de um século.
O maior volume recente foi registrado na estação de Adrianópolis, com 662,4 milímetros, ocupando a quarta posição no ranking histórico. Em seguida aparecem os pluviômetros de Ponto Chic, com 517,5 mm (oitavo lugar), e Miguel Couto, com 515,27 mm (nona posição).
O recorde histórico segue pertencendo ao antigo pluviômetro de Tinguá, que registrou 801,5 milímetros em fevereiro de 1988. Na sequência aparecem os anos de 1935 (722,2 mm) e 1947 (672,2 mm). No cenário estadual, o maior volume já registrado para fevereiro ocorreu no Alto da Boa Vista, na capital fluminense, também em 1988, com 910,2 mm.
Lacuna histórica de dados
Desde a desativação da estação de Tinguá, em 1989, Nova Iguaçu ficou sem monitoramento oficial contínuo do INMET por décadas. A retomada das medições sistemáticas ocorreu apenas em 2011, com a instalação de pluviômetros do CEMADEN, voltados principalmente para o monitoramento de riscos e emissão de alertas em tempo real.
Atualmente, além do CEMADEN, o município também conta com equipamentos operados pelo ICMBio e pela UFRRJ, ampliando a capacidade de acompanhamento das chuvas, ainda que parte dos dados não tenha o mesmo padrão histórico das séries oficiais do INMET.
Tendência de chuvas mais intensas
Apesar de não superar o recorde absoluto, a presença de três registros recentes entre os dez maiores da história acende um alerta sobre mudanças no padrão climático da região.
De acordo com o subsecretário municipal de Desenvolvimento e Mudanças Climáticas, Edgar Martins, a tendência é de eventos cada vez mais intensos.
Segundo ele, volumes que antes variavam entre 50 e 60 milímetros agora frequentemente ultrapassam os 100 milímetros, indicando um novo padrão de chuvas concentradas em períodos mais curtos.
A explicação está associada ao aquecimento global. Com temperaturas mais elevadas na atmosfera e no Atlântico Sul, há maior evaporação de água, o que favorece a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul — fenômeno responsável por transportar grandes volumes de umidade e provocar chuvas prolongadas e intensas.
Especialistas apontam que esse cenário exige maior atenção do poder público e da população, especialmente em áreas vulneráveis a alagamentos e deslizamentos, já que episódios extremos tendem a se tornar mais frequentes nos próximos anos.

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