Contrato entre Prefeitura de Nova Iguaçu e Banco Master vira alvo de questionamentos e denúncia na Polícia Federal

Convênio para empréstimos consignados de servidores municipais foi firmado em 2025 e rescindido meses após liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central



O contrato firmado entre a Prefeitura de Nova Iguaçu e o Banco Master passou a ocupar o centro do debate político na cidade após a divulgação de denúncias envolvendo a instituição financeira em âmbito nacional e a formalização de uma notícia de fato junto à Polícia Federal pedindo investigação sobre a relação entre o banco e o município.

O caso ganhou repercussão após declarações públicas de um vereador da cidade Igor Porto, que afirmou ter protocolado representação na sede da Polícia Federal, em Brasília, solicitando apuração sobre os contratos celebrados entre a administração municipal e o Banco Master. Segundo ele, é necessário esclarecer de que forma a instituição financeira chegou à estrutura administrativa da prefeitura e quais interesses estariam envolvidos na contratação.

A discussão ocorre em meio à pressão nacional pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master, instituição que passou a ser alvo de questionamentos após denúncias divulgadas na imprensa e investigações conduzidas por órgãos federais. O banco teria sido citado em apurações relacionadas a supostas irregularidades financeiras e suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos.

Em Nova Iguaçu, documentos oficiais mostram que o vínculo entre a prefeitura e o Banco Master começou através do Processo Administrativo nº 2024/101.660, referente ao Chamamento Público nº 015/CPL/2024. O objetivo era credenciar instituições financeiras para oferecer empréstimos consignados, financiamentos, cartões de crédito e seguros aos servidores públicos municipais efetivos e ativos.

A homologação do resultado ocorreu em julho de 2025, assinada pelo então secretário municipal de Administração e Tecnologia, Paulo Sérgio da Silva Monteiro. Entre as instituições consideradas habilitadas estavam o Banco Digimais, Sudacred, Valor S/A e o Banco Master S.A.

Posteriormente, em 22 de agosto de 2025, foi assinado o Convênio nº 008/SEMAD/2025 entre o Município de Nova Iguaçu e o Banco Master. O contrato previa a concessão de empréstimos, financiamentos e cartões de crédito mediante consignação em folha de pagamento dos servidores municipais.

O documento também autorizava operações relacionadas a seguros de vida e acidentes pessoais, respeitando os limites de margem consignável previstos na legislação municipal. O prazo de vigência estabelecido para o convênio era de 24 meses.

O ponto que passou a gerar questionamentos políticos foi o intervalo entre o agravamento da crise envolvendo o Banco Master e a efetiva rescisão contratual por parte da prefeitura. Segundo os documentos publicados oficialmente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira por meio do Ato nº 1.369/2025, publicado em novembro de 2025.

Apesar disso, o termo de rescisão unilateral do convênio só foi formalizado pela Prefeitura de Nova Iguaçu em 14 de abril de 2026. O documento informa que o contrato foi considerado extinto retroativamente desde 19 de setembro de 2025, data fixada como termo legal da liquidação extrajudicial.

Nas manifestações divulgadas nas redes sociais, o vereador questiona por que o encerramento oficial do contrato demorou meses para ocorrer após o avanço das denúncias e da intervenção do Banco Central. Ele também levanta dúvidas sobre quantos servidores municipais chegaram a contratar empréstimos, seguros ou outros produtos financeiros oferecidos pelo banco durante a vigência do convênio.

“Quando existem dúvidas envolvendo contratos públicos, interesses financeiros e a estrutura da prefeitura, o silêncio nunca pode ser tratado como resposta”, afirmou o parlamentar ao anunciar o protocolo da notícia de fato na Polícia Federal.

A Prefeitura de Nova Iguaçu ainda não divulgou posicionamento detalhado sobre os questionamentos apresentados. Nos documentos oficiais referentes à rescisão, a administração municipal sustenta que a continuidade das operações se tornou materialmente impossível após a liquidação da instituição financeira.

Especialistas apontam que contratos de consignado envolvendo administrações públicas costumam movimentar valores expressivos e exigem rigoroso acompanhamento, já que impactam diretamente a folha salarial de servidores públicos.

O caso agora deverá ser analisado pelos órgãos competentes, podendo envolver apurações administrativas, eleitorais e eventualmente criminais, dependendo do avanço das investigações e dos elementos apresentados pelas autoridades.

Enquanto isso, o episódio amplia a pressão política sobre o município e promete gerar novos desdobramentos nos próximos meses, especialmente diante da repercussão nacional das investigações envolvendo o Banco Master.

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