A Casa da Cultura da Baixada promoveu, na última semana, uma roda de conversa em São João de Meriti para discutir a saúde das mulheres negras e os desafios enfrentados no acesso aos serviços públicos. A atividade integrou a programação do Julho das Pretas e foi realizada na Comissão da OAB Mulher do município, reunindo advogadas e representantes de instituições para refletir sobre as questões legais relacionadas à promoção da equidade racial na saúde.
Desenvolvido com apoio da ONG Criola, o Projeto Saúde das Mulheres Negras teve como tema “A Saúde das Mulheres Negras e as Questões Legais”, incentivando o debate sobre o enfrentamento das desigualdades raciais e a construção de políticas públicas mais inclusivas para esse público.
O Julho das Pretas é um movimento criado em 2013 pelo Instituto Odara e tem como objetivo fortalecer ações políticas, sociais e culturais voltadas ao combate ao racismo, à violência e às desigualdades estruturais. A mobilização acontece em torno do dia 25 de julho, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Durante o encontro, a coordenadora de Políticas Institucionais da Casa da Cultura da Baixada e representante do projeto, Leila Regina, ressaltou a importância da parceria com instituições do sistema de Justiça.
“Estar aqui na OAB para falar sobre isso é fundamental, porque traz mais um parceiro para somar com a gente nesse enfrentamento das desigualdades e das iniquidades que historicamente atingem as mulheres negras. Isso inclui o atendimento precário na saúde e a baixa qualidade dos serviços oferecidos. São muitas as queixas de mulheres negras em diferentes territórios”, afirmou.
A diretora da Casa da Cultura da Baixada, Letícia Florêncio, destacou que ampliar esse debate é uma forma de fortalecer a defesa dos direitos das mulheres negras e conscientizar diferentes setores da sociedade.
“Nós, enquanto instituição, temos uma missão maior ainda de fomentar esse debate com o máximo de operadoras da lei, sobretudo agentes de saúde, em conjunto com a população como um todo, em especial as mulheres negras, que muitas vezes sequer têm conhecimento desse debate e dos direitos que deveriam ser assegurados para evitar as violências que atravessam seus corpos”, destacou.
Ao longo da roda de conversa, as participantes discutiram o papel das mulheres nos espaços jurídicos e a necessidade de ampliar políticas públicas que garantam atendimento digno, acesso à saúde de qualidade e o combate às desigualdades raciais. A iniciativa reforçou a importância da atuação conjunta entre sociedade civil, instituições e profissionais do Direito para promover uma assistência mais humanizada e assegurar direitos às mulheres negras na Baixada Fluminense.





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