Disputa entre traficantes deixa 11 mortos e afeta rotina de moradores em Duque de Caxias

Conflito pelo controle territorial atingiu comunidades desde o início de agosto e já provocou impactos em escolas e serviços de saúde


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Uma disputa entre grupos de traficantes pelo controle territorial de comunidades em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, deixou 11 homens mortos desde o início de agosto, conforme apontam as investigações. O conflito também atingiu moradores que não teriam envolvimento com o crime, além de provocar alterações no funcionamento de escolas e serviços de saúde da região.

Para quem vive nas áreas afetadas, a violência tem significado risco durante deslocamentos e mudanças na rotina de atendimento público. Uma das vítimas foi um morador que voltava da igreja acompanhado do filho quando acabou atingido por um disparo na cabeça, no dia 17 de agosto.

A primeira morte registrada neste mês na comunidade do Pantanal ocorreu no dia 8. Desde então, outras dez mortes foram contabilizadas pelas investigações. A principal hipótese é que a maioria das vítimas tivesse ligação com o tráfico de drogas, mas a sequência de confrontos também expôs moradores ao fogo cruzado.

O bairro Pantanal é apontado como área de atuação do Terceiro Comando Puro. A disputa envolve grupos interessados no controle de diferentes territórios da região e tem provocado episódios sucessivos de violência.

Moradores também são atingidos

O caso do homem morto enquanto retornava da igreja não foi um episódio isolado. Em julho, uma idosa foi baleada nas costas na Rua Venâncio Adres, na Vila Leopoldina, nas proximidades da área onde ocorre a disputa entre criminosos.

Outro episódio ocorreu no domingo (23), quando granadas foram lançadas por um drone na comunidade do Corte Oito. Testemunhas relataram que o ataque teria sido uma represália às mortes registradas no confronto entre os grupos.

A comunidade é apontada como área sob influência de Jonatha Hyrval Cassiano da Silva, conhecido como Bochecha Rosa. Ele é investigado por crimes como roubo, homicídio, associação para o tráfico e organização criminosa e, segundo as informações da investigação, está foragido.

Conflitos alteram funcionamento de escolas e saúde

Os impactos chegaram também aos serviços públicos. De acordo com a Prefeitura de Duque de Caxias, quatro escolas municipais foram afetadas por conflitos ou operações policiais no período.

Uma creche precisou acionar o protocolo de segurança em três dias diferentes. Pelo menos outras duas escolas tiveram o procedimento adotado em duas ocasiões cada, diante das condições de segurança no entorno.

Na saúde, a unidade localizada no Pantanal precisou interromper o atendimento no dia 18 de agosto. Além disso, as atividades externas foram suspensas em três dias dentro de um intervalo de uma semana.

Procurada, a Polícia Militar informou que o 15º BPM, responsável pelo policiamento em Duque de Caxias, mantém o reforço das ações ostensivas na região. Segundo a corporação, as equipes atuam a pé, em viaturas e em motopatrulhas, com o policiamento sendo atualizado de forma permanente de acordo com a movimentação identificada pelas forças de segurança.

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