A trajetória de Edd Wheeler, nome artístico de Edwiges Tomaz, ganha destaque no documentário dirigido por Cavi Borges, lançado em 11 de agosto. Moradora de Nilópolis, na Baixada Fluminense, ela foi uma das pioneiras do rap feminino carioca e integrante fundadora de As Damas do Rap, grupo formado por sete mulheres negras que surgiu em 1992 nos bailes de charme e concursos de dança do subúrbio do Rio e da região.
A história ajuda a recuperar uma parte da memória cultural da Baixada que atravessou gerações e influenciou a formação do hip-hop no estado. Mais de três décadas depois de começar a rimar, Edd construiu uma trajetória que passou pela música, pelo Direito e pelo ativismo em defesa das mulheres.
A relação com a cultura hip-hop começou nas pistas de dança, a partir do universo do Smurf Dance e dos bailes de charme. Edd e outras seis mulheres migraram da dança para as rimas e formaram As Damas do Rap, enfrentando uma cena ainda predominantemente masculina.
O grupo chegou aos estúdios com a faixa “Um Sonho Real”, incluída na coletânea “Tiro Inicial”, lançada em 1992. A produção é considerada um dos registros importantes da formação da cena do rap carioca e reuniu artistas que ajudaram a estabelecer o gênero no Rio de Janeiro.
O documentário, porém, não se limita à trajetória musical do grupo. A narrativa acompanha as transformações vividas por Edd ao longo de mais de 30 anos, mostrando como a artista que começou escrevendo e rimando nos anos 1990 passou a atuar também como advogada, palestrante e ativista.
Da música à defesa de direitos
A experiência acumulada no hip-hop permaneceu presente na atuação social de Edd. Ela participou da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop e desenvolveu trabalhos relacionados à mediação de conflitos, violência contra a mulher e fortalecimento da participação feminina na cultura.
Essa mudança de trajetória também revela uma continuidade. A palavra que, nos primeiros anos, servia para narrar experiências e denunciar problemas sociais encontrados nas ruas passou a ser utilizada por Edd em outros espaços de atuação e defesa de direitos.
A história ganha uma dimensão ainda maior por ter origem em Nilópolis. A trajetória da rapper conecta a Baixada Fluminense aos bailes de charme, ao subúrbio carioca e à construção da cultura negra e periférica, mostrando que parte importante da produção cultural do Rio também nasceu distante dos circuitos tradicionais.
Ao recuperar essa história, o filme também chama atenção para mulheres que ajudaram a construir o rap brasileiro quando a presença feminina ainda tinha pouca visibilidade e poucos registros. A expansão do espaço ocupado por mulheres no gênero nas últimas décadas é apresentada como resultado de uma trajetória que começou muito antes da atual geração de artistas.
A atuação de Edd também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Sua trajetória já foi objeto de pesquisas acadêmicas, documentários e iniciativas relacionadas ao hip-hop. Em 2026, sua história foi apresentada pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz como referência do hip-hop brasileiro, destacando sua atuação como rapper pioneira, integrante das As Damas do Rap, advogada e articuladora social.





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