A relação entre os rios, a Baía de Guanabara e a história da Baixada Fluminense ganha destaque no documentário “Guapi-Macacu, o filme”, que terá sua estreia no Rio de Janeiro no próximo domingo (26), às 19h, durante a sessão de encerramento da 19ª edição do Festival Visões Periféricas. A exibição acontece no Estação Claro, em Botafogo, com entrada gratuita.
Com 85 minutos de duração, o longa propõe uma jornada incomum: seguir o curso do rio Guapi-Macacu da foz, na Baía de Guanabara, até suas nascentes. A narrativa conduz o público por um percurso em sentido contrário ao fluxo das águas, utilizando essa inversão como metáfora para revisitar a memória ambiental e social da Baixada Fluminense.
Narrado pela cineasta nilopolitana Catu Rizo, o documentário apresenta uma “escuta sensível” da bacia hidrográfica do Guapi-Macacu, reunindo relatos de pescadores, quilombolas, guarda-parques e lideranças comunitárias. A obra resgata histórias de um período em que os rios desempenhavam papel fundamental na formação das comunidades, garantindo abastecimento, transporte, produção agrícola e sustento para milhares de famílias.
Ao longo do filme, o público acompanha também uma reflexão sobre as transformações sofridas pela região durante o século XX. Com consultoria do historiador Philippe Moreira, a produção aborda os impactos das obras de retificação dos rios, da expansão ferroviária e do processo de urbanização, que alteraram profundamente a paisagem e a dinâmica ambiental da Baixada Fluminense.
Para contextualizar esse processo histórico, o documentário utiliza imagens de arquivo cedidas pelo Arquivo Nacional, contrapondo registros históricos às experiências de moradores que ainda mantêm uma relação direta com o ecossistema local. A atriz Mariah da Penha participa da produção interpretando a personagem Ominá, responsável por conduzir o público por momentos de caráter lúdico ao longo da narrativa.
O projeto é resultado de uma parceria entre a Estamira Produção Cultural, dirigida por Giordana Moreira, e a Catu Filmes, com recursos da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo. Além da direção, Catu Rizo atua como pesquisadora da obra. Formada em Cinema e Audiovisual, a cineasta é mestre pelo Programa de Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integra o movimento Baixada Filma.
Realizado entre os dias 23 e 26 de julho, o Festival Visões Periféricas chega à sua 19ª edição promovendo mostras competitivas, debates e laboratórios de projetos audiovisuais voltados à valorização das narrativas produzidas nas periferias brasileiras. Toda a programação é gratuita.
A sessão de estreia de “Guapi-Macacu, o filme” será realizada no Estação Claro, localizado na Rua Voluntários da Pátria, 88, em Botafogo, a partir das 19h. A programação completa do festival está disponível no site oficial do Festival Visões Periféricas.





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