Um levantamento realizado junto ao orçamento estadual revela que, ao longo de 2025, parlamentares destinaram um montante expressivo de R$ 3.359.310,00 para a área da saúde em Nilópolis, com foco principal na criação de uma Clínica de Reabilitação. No entanto, o que deveria ser um marco para a infraestrutura de saúde do município encontra-se, até o momento, em um cenário de opacidade administrativa e ausência de sinais de obras no local previsto.
As emendas, de natureza impositiva, foram destinadas por três deputados estaduais. O projeto detalhado prevê a reforma e adequação de um imóvel situado na Estrada Elizeu de Alvarenga, 1240, Kubstchek, Nilópolis.
A descrição técnica é ambiciosa: o espaço de 681 m² contaria com atendimento especializado em neurologia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia, além de equipamentos de ponta, como ultrassonografias, aparelhos de laser terapêutico e esteiras ergométricas.
Os valores, foram consultados no Portal de Transparência da ALERJ, distribuídos entre modalidades de “Transferência Especial” (conhecidas popularmente como “Emendas Pix”) e repasses “Fundo a Fundo”, aqui tem um arquivo separando somente as informações, que foram assim divididos:
- Rafael Nobre (União Brasil): R$ 2.029.655,00 (Emendas nº 386 e nº 387)
- Marcelo Dino (PL): R$ 759.802,00 (Emenda nº 2309)
- Valdecy da Saúde (PL): R$ 569.853,00 (Emenda nº 1873)
Apesar da robustez financeira, a situação no terreno destoa do que foi planejado: no endereço citado, não há qualquer sinal de canteiro de obras, movimentação de pessoal ou indícios de adequação predial para o funcionamento da unidade.
Ao consultar o Portal da Transparência da Prefeitura de Nilópolis com referência ao ano de 2025, a reportagem identificou que, embora o orçamento preveja o aporte de recursos, não houve o efetivo repasse dessas verbas. Além disso, o sistema carece de qualquer detalhamento sobre o status desses valores: a prefeitura não apresenta informações cruciais como o cronograma de execução, o estágio de eventuais obras ou os projetos licitatórios vinculados. Essa ausência de transparência ativa impede que a população acompanhe a real disponibilidade dos recursos e dificulta o controle social sobre o cumprimento das promessas de melhoria na rede de saúde municipal.
A população de Nilópolis aguarda esclarecimentos sobre o cronograma de utilização desses R$ 3,3 milhões. A discrepância entre o aporte financeiro recebido e a ausência de obras, somada à falta de dados claros no Portal da Transparência, levanta questionamentos urgentes sobre a eficiência e a fiscalização da gestão municipal.
Nota de apuração: Este texto foi elaborado com base em dados orçamentários oficiais e averiguação local. Caso a Prefeitura de Nilópolis ou os parlamentares citados desejem se manifestar sobre o cronograma de execução das obras e a falta de detalhamento nos portais oficiais, este espaço permanece à disposição.





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