O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, deixou o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no início da noite deste sábado (11). A soltura foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que autorizou o investigado a responder ao processo em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Entre as determinações impostas pela Justiça estão o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma de fogo. Canella também deverá cumprir outras medidas estabelecidas na decisão judicial enquanto prosseguem as investigações.
O ex-prefeito havia sido preso em flagrante na última terça-feira (7), durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Na ocasião, agentes localizaram um fuzil calibre .556 no interior do veículo utilizado por Canella durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
Segundo a defesa do ex-prefeito, o armamento pertence ao policial militar responsável por sua segurança. Ao analisar o pedido de liberdade, o ministro Alexandre de Moraes destacou que essa versão ainda deverá ser apurada ao longo da investigação e não afasta, neste momento, a continuidade do inquérito.
A Operação Unha e Carne investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que, de acordo com a Polícia Federal, teria movimentado aproximadamente R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis instalada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As apurações apontam a possível participação de agentes públicos e empresários em um esquema destinado a ocultar a origem de recursos financeiros.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Durante as diligências, foram apreendidos armas, dinheiro, joias e veículos de luxo, além de a Justiça determinar o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas.
As investigações tiveram início após um relatório de inteligência financeira elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações consideradas atípicas envolvendo cerca de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos. Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros delitos que venham a ser identificados durante o andamento do inquérito.
A operação integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a condução de investigações relacionadas a possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.
Até o momento, Márcio Canella não foi condenado pelos fatos investigados. O processo segue em tramitação, e a Folha da Baixada permanece à disposição para publicar manifestações da defesa do ex-prefeito e dos demais investigados citados na operação.





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