Ex-prefeito de Belford Roxo é preso em flagrante durante operação da PF que investiga esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões

Márcio Canella era alvo de mandado de busca na sexta fase da Operação Unha e Carne e foi preso após policiais encontrarem um fuzil calibre .556 em seu veículo, segundo a Polícia Federal


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O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, foi preso em flagrante nesta terça-feira (7) durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo a corporação, ele foi autuado por posse ou porte ilegal de arma de fogo de calibre restrito após os agentes encontrarem um fuzil calibre .556 no interior de seu veículo.

Em nota, a Polícia Federal informou que Canella é investigado como um dos supostos braços políticos do grupo criminoso alvo da operação. Conforme a corporação, o armamento foi localizado durante o cumprimento das medidas judiciais. O ex-prefeito afirmou aos policiais que o fuzil não lhe pertencia.

A Operação Unha e Carne apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com as investigações, os estabelecimentos seriam utilizados para misturar recursos de origem lícita e ilícita, dificultando o rastreamento financeiro. Posteriormente, os valores seriam destinados a empresas de fachada para ocultar sua origem.

Além de Canella, também foram alvo de mandados de busca e apreensão o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado pelas investigações como líder de uma organização paramilitar, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.

As investigações receberam reforço a partir de informações produzidas pela nova unidade do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) instalada no estado do Rio de Janeiro. A análise de movimentações financeiras consideradas suspeitas serviu de base para as medidas autorizadas pela Justiça. Segundo a Polícia Federal, também foram identificados pagamentos ao delegado Marcus Amim e a uma empresa de consultoria ligada a ele, fatos que integram o inquérito.

Histórico de outro investigado

Outro alvo da operação é o ex-sargento da Polícia Militar Juracy Alves Prudêncio. Expulso da corporação em 2011, ele foi condenado posteriormente a 26 anos de prisão pelos crimes de homicídio e associação criminosa. Após obter progressão para o regime semiaberto, chegou a atuar na Secretaria Municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo.

O nome de Juracy também aparece no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, de 2008. O documento o apontou como líder de um grupo paramilitar que atuava em bairros de Nova Iguaçu, explorando atividades ilegais como segurança privada clandestina, venda de gás, TV clandestina e transporte alternativo.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas apontadas como integrantes do suposto esquema investigado.

As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há condenação relacionada aos fatos apurados nesta fase da operação. A Folha da Baixada deixa o espaço aberto para manifestação das defesas de Márcio Canella, Juracy Alves Prudêncio, Marcus Amim e dos demais investigados citados na operação.

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