Moradores da Baixada Fluminense que dependem do transporte público para trabalhar no município do Rio de Janeiro enfrentam uma manhã de forte impacto nesta segunda-feira (29). A greve por tempo indeterminado dos rodoviários da capital, decretada após assembleia geral na noite de domingo (28), reduziu drasticamente a frota de ônibus municipais nas ruas do Rio. A paralisação, no entanto, está restrita ao sistema municipal de transporte da capital. Os ônibus intermunicipais que ligam a Baixada Fluminense ao Rio de Janeiro, assim como as linhas municipais que circulam entre as cidades da Baixada, seguem operando normalmente. Ainda assim, a interrupção do serviço na capital provoca reflexos imediatos nos pontos de integração e nas principais vias de acesso, como a Rodovia Presidente Dutra e a Avenida Brasil.
O nó no transporte acontece em um dia em que foi decretado ponto facultativo tanto nas repartições públicas do município quanto nas do estado do Rio de Janeiro. Apesar da medida, que esvazia os órgãos administrativos, o movimento nas ruas continua intenso. Uma grande parcela da população que atua no comércio, na indústria e no setor de serviços privados precisa cumprir expediente normalmente, além de todos os profissionais de serviços essenciais, como saúde e segurança, que não param.
O desafio da integração e as novas regras de pagamento
Como as linhas de ônibus e as vans intermunicipais continuam operando normalmente, os trabalhadores conseguem cruzar as fronteiras da capital fluminense. No entanto, o principal problema tem sido a descontinuidade das viagens após a chegada ao Rio, onde os passageiros encontram graves dificuldades para completar os trajetos internos até as zonas Norte, Sul e Oeste, além do Centro. O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) determinou a circulação mínima de 50% da frota sob pena de multa diária de R$ 50 mil, mas os usuários relatam longos tempos de espera em hubs de transporte.
Atenção aos cartões de passagem: Para os moradores da Baixada, o desafio nesta manhã vai além de encontrar um coletivo. É fundamental lembrar que hoje não é mais possível pagar a passagem em dinheiro nas linhas municipais do Rio. Para circular pela capital, o passageiro deve utilizar obrigatoriamente o cartão Jaé. Já para o deslocamento nos ônibus intermunicipais que ligam a Baixada ao Rio, continua sendo necessário o uso do Riocard, exigindo que o trabalhador tenha os dois cartões em mãos para completar a viagem.
Vans e trens surgem como opções na Baixada
Para mitigar os impactos da greve ao longo do dia, o fluxo de passageiros tem buscado alternativas de transporte complementar e sobre trilhos. O sistema de vans intermunicipais regulamentadas tornou-se uma das principais saídas rápidas para conectar os municípios da região diretamente a pontos estratégicos da capital, operando com lotação máxima desde o início da madrugada.
Além do transporte rodoviário alternativo, os sistemas ferroviário e metroviário operam sem restrições. Os trabalhadores dos municípios de Duque de Caxias, Magé e Guapimirim utilizam o ramal de Saracuruna da TrensRJ como a principal ligação direta com a Central do Brasil. Quem reside em Magé e Guapimirim também conta com as extensões operacionais de trens de passageiros para se conectar ao tronco principal do sistema em direção à capital.
Alternativas nas demais cidades da região
Na região central da Baixada, os ramais ferroviários de Japeri e Belford Roxo tornaram-se os eixos vitais de deslocamento. O ramal de Japeri atende diretamente os moradores dos municípios de Japeri, Paracambi (por meio da extensão), Queimados, Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis. Já o ramal de Belford Roxo absorve a demanda de passageiros que partem de Belford Roxo e São João de Meriti. Nas estações de Pavuna e Coelho Neto, a integração com a Linha 2 do Metrô Rio serve como rota alternativa para acessar a Zona Sul e o Centro.
Para os municípios de Itaguaí e Seropédica, que não contam com o sistema de trens urbanos de passageiros, o deslocamento exige o uso de ônibus e vans intermunicipais até pontos estratégicos da Zona Oeste do Rio, como Santa Cruz e Campo Grande. A partir destas localidades, a orientação para os trabalhadores é a utilização das linhas do BRT — que funcionam em esquema de dia útil controlado pela Mobi-Rio — ou a transferência direta para o ramal ferroviário de Santa Cruz, evitando a dependência das linhas de ônibus convencionais da capital que estão paradas.
Aplicativos, caronas e transporte complementar
Diante dos pontos lotados e da falta de coletivos na capital, os passageiros recorrem a soluções tecnológicas e à solidariedade para não perder o dia de trabalho. Os serviços de transporte por aplicativos, como a Uber e a 99, registram alta demanda e tarifas dinâmicas nesta manhã. Para driblar os preços elevados, grupos de passageiros que possuem o mesmo destino estão se organizando nas filas e redes sociais para dividir viagens de carro e compartilhar o pagamento das corridas.
Como alternativa mais ágil para escapar dos congestionamentos, a procura pelas modalidades de duas rodas, como o Moto Uber, 99Moto e os mototáxis locais, disparou nos pontos de conectividade. O sistema de vans intermunicipais regulamentadas também se consolidou como uma das saídas rápidas para ligar a Baixada diretamente a pontos estratégicos da capital, operando com capacidade máxima desde a madrugada.
Esta reportagem poderá ser atualizada a qualquer momento, conforme o avanço das notícias e a divulgação de novas informações pelas autoridades.





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