Márcio Canella é preso pela PF em nova fase da Operação Unha e Carne

Ex-prefeito de Belford Roxo foi eleito o segundo deputado estadual mais votado do Rio em 2026, com 197.178 votos; investigação apura suspeita de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis


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Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito no Rio de Janeiro, foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ação investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro na Região Metropolitana do Rio.

Canella recebeu 197.178 votos nas eleições de 2026 e ficou em segundo lugar entre os candidatos a deputado estadual mais votados do estado. A prisão ocorre meses depois de outra ocorrência envolvendo o político, que já havia sido detido durante uma fase anterior da mesma operação.

Além de Canella, foi preso o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Outros quatro investigados também foram detidos na operação, que busca esclarecer suspeitas de envolvimento de agentes públicos em uma estrutura criminosa.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, as medidas judiciais foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta que a rede de postos teria movimentado R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, conforme dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Investigação sobre rede de postos

A oitava fase da Operação Unha e Carne dá continuidade às apurações sobre possíveis conexões entre agentes públicos, políticos e grupos criminosos que atuam no estado do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal informou que a investigação busca desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar estabelecimentos do setor de combustíveis para ocultar a origem de recursos ilícitos. A apuração também envolve suspeitas de articulação político-institucional.

Na operação desta quinta-feira, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em municípios fluminenses. A Justiça também determinou medidas patrimoniais e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas à rede investigada.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, entre outras possíveis infrações, conforme a participação de cada um e o avanço das apurações.

Histórico político em Belford Roxo

Canella construiu sua trajetória política em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde exerceu os cargos de vereador, vice-prefeito e secretário municipal da Casa Civil. Em 2024, foi eleito prefeito do município.

No início de 2026, deixou a prefeitura com a intenção inicial de disputar uma vaga no Senado. Posteriormente, concorreu novamente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), conquistando o segundo maior número de votos para deputado estadual no estado.

Antes de assumir a prefeitura, Canella já havia exercido dois mandatos como deputado estadual, de acordo com o histórico apresentado no material sobre sua trajetória política.

Prisão anterior durante a operação

Em julho de 2026, Canella foi preso em flagrante durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, após agentes federais encontrarem um fuzil em um veículo utilizado por ele. Na ocasião, o político afirmou que a arma não lhe pertencia.

Naquela etapa, Canella era alvo de um mandado de busca e apreensão relacionado à investigação sobre a rede de postos de combustíveis. A prisão em flagrante ocorreu após a localização do armamento, e a prisão preventiva foi posteriormente revogada por decisão judicial.

O caso voltou a ganhar repercussão com a nova fase da operação, que resultou na prisão do ex-prefeito e de outros investigados.

Defesa aguarda acesso à decisão

A defesa de Márcio Canella informou que não se manifestaria naquele momento porque ainda não havia tido acesso à decisão judicial que determinou a prisão.

As investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes. Até que haja decisão definitiva da Justiça, os fatos investigados e as suspeitas atribuídas aos envolvidos não representam, por si só, comprovação de culpa.

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