A Prefeitura de Mesquita promoveu, entre os dias 28 de abril e 7 de maio, uma capacitação voltada ao atendimento de pessoas surdas na rede pública municipal de saúde. A iniciativa aconteceu na Policlínica Municipal São José e reuniu profissionais de diferentes unidades de atendimento em turmas distribuídas nos períodos da manhã e da tarde.
A formação foi conduzida pela intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) Patricia Silva, em parceria com o Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS). O principal objetivo foi preparar os profissionais para oferecer um atendimento mais acessível, eficiente e humanizado à população surda do município, fortalecendo a inclusão dentro da rede pública de saúde.
Durante a capacitação, os participantes receberam orientações sobre formas adequadas de comunicação com pacientes surdos, além de noções básicas de Libras que podem auxiliar no dia a dia das unidades de saúde. A proposta também buscou conscientizar os profissionais sobre a importância de adaptar a linguagem e garantir que as informações sejam compreendidas corretamente pelos pacientes.
Segundo Patricia Silva, pequenas mudanças na comunicação podem fazer grande diferença no atendimento. Ela explica que a clareza nas orientações é fundamental para evitar dúvidas e garantir mais segurança aos pacientes.
“Precisamos adaptar a forma de comunicação. Para indicar o horário de um medicamento, por exemplo, o ideal é falar ‘oito horas da noite’, em vez de ‘vinte horas’. E sempre confirmar se o paciente compreendeu a orientação para evitar dúvidas após o atendimento”, destacou.
A iniciativa é considerada pioneira na área da saúde pública do Estado do Rio de Janeiro, principalmente por integrar intérpretes de Libras diretamente à rotina de atendimento das clínicas da família. Atualmente, o município conta com duas intérpretes atuando na rede municipal de saúde, realizando a mediação entre pacientes surdos e equipes médicas.
O serviço começou inicialmente concentrado na Clínica da Família Jorge Campos, mas foi ampliado para outras unidades conforme o crescimento da demanda. Como estratégia para facilitar o acesso aos atendimentos, a prefeitura passou a priorizar o acolhimento dos pacientes nas unidades de referência mais próximas de suas residências, reduzindo deslocamentos e tornando o processo mais acessível.
Em situações específicas, os atendimentos também podem contar com suporte por videochamada, ampliando as possibilidades de comunicação entre profissionais da saúde e pacientes surdos. A medida reforça o compromisso do município em oferecer um atendimento inclusivo e garantir o direito à saúde para toda a população.
De acordo com estimativas da prefeitura, cerca de 3 mil pessoas surdas vivem atualmente em Mesquita, embora parte desse público ainda esteja em processo de inserção na rede municipal de atendimento. A expectativa é que iniciativas como essa fortaleçam o vínculo entre os serviços públicos e a comunidade surda.
A farmacêutica Vânia Cristina, participante da capacitação, ressaltou a importância da formação para a rotina profissional. Há 17 anos atuando no município, ela afirmou que nunca havia participado de um treinamento voltado especificamente para o atendimento à população surda.
“Aprendemos o básico, como letras, números e algumas expressões, mas isso já faz muita diferença no atendimento. É um conhecimento que ajuda a acolher melhor o paciente. Esse tipo de formação deveria alcançar todos os profissionais da rede”, avaliou.
Para evitar impactos no funcionamento das unidades de saúde, a capacitação foi organizada em diferentes turmas e turnos ao longo dos dias de formação. Cada unidade indicou representantes de vários setores para participar do treinamento, permitindo que o conhecimento adquirido seja compartilhado internamente com as demais equipes.
Participaram profissionais das áreas administrativas, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, dentistas, auxiliares de saúde bucal, agentes comunitários de saúde, gerentes das clínicas da família, equipes multiprofissionais e integrantes do programa Melhor em Casa.
Ao final da formação, Patricia Silva destacou que a adesão dos profissionais demonstra a importância de ampliar iniciativas voltadas à qualificação contínua e à construção de uma saúde pública cada vez mais acessível.
“A ação representa um avanço importante para o município. Já percebemos um grande interesse dos profissionais e isso mostra como iniciativas de inclusão fazem diferença no atendimento e na vida da população”, concluiu.





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